A balança comercial de Piracicaba registrou déficit de US$ 26,1 milhões em outubro de 2026, uma redução de 75,7% em relação a setembro, quando o saldo negativo chegou a US$ 107,6 milhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A melhora resulta da combinação entre o crescimento das exportações e a redução das importações. As vendas externas do município somaram US$ 263,6 milhões em outubro, alta de 19% em relação aos US$ 221,4 milhões registrados no mês anterior. Já as importações recuaram 11,9%, passando de US$ 329 milhões para US$ 289,7 milhões.
Na avaliação do economista Ricardo Buso, o resultado de outubro foi positivo, embora a balança comercial piracicabana continue deficitária. Ele observa que essa condição não representa necessariamente um problema, mas uma característica da economia local, que mantém um volume de importações superior ao de exportações.
A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, alcançou US$ 553,3 milhões em outubro, praticamente estável em relação aos US$ 550,3 milhões de setembro.
Na comparação com outubro de 2025, as exportações cresceram 47,5%, enquanto as importações tiveram queda de 9,6%.
Salto nas exportações de aço
Um dos destaques apontados por Buso foi o desempenho do segmento de barras de ferro ou aço. “(Essas) exportações saltaram de US$ 3 milhões/FOB em setembro para US$ 44 milhões/FOB em outubro, equivalente ao crescimento de 1300%. Com isso, a representatividade do segmento de barras de ferro ou aço no total de exportações evoluiu de 1% para 17% entre setembro e outubro de 2026”, avalia.
Apesar do avanço, o setor de máquinas pesadas para construção civil, mineração e agronegócio continua na liderança das exportações. O grupo de bulldozers, niveladoras, escavadoras e rolos compressores respondeu por 50,1% do total comercializado pelo município no exterior em outubro.
“De qualquer forma, por mais simples que seja a análise dos dados, é muito fácil perceber o domínio da indústria metal mecânica na balança comercial e na corrente de comércio piracicabanas”, diz Buso.
Estados Unidos perdem participação
Os Estados Unidos continuam como principal destino das mercadorias produzidas em Piracicaba, mas perderam participação nas exportações municipais. Em setembro, o mercado norte-americano concentrava 49,1% das vendas externas. Em outubro, o índice recuou para 39%.
O movimento ocorreu paralelamente à ampliação das vendas para outros mercados. O Peru aparece como o segundo maior comprador das indústrias locais, com 14,4% de participação, seguido por Chile (7,1%), Canadá (6%) e Argentina (5,8%). O México responde por 2,7%.
Na pauta exportadora, além das máquinas pesadas e das barras de ferro ou aço, aparecem o açúcar de cana, com 8,8%, grupos eletrogêneos (5,4%) e automóveis de passageiros (5,2%).
Melhora mensal não reverte tendência do ano
Apesar do resultado positivo de outubro, a análise dos números acumulados mostra um cenário menos favorável. Entre janeiro e outubro de 2026, o déficit comercial de Piracicaba chegou a US$ 763 milhões, contra US$ 608 milhões no mesmo período de 2025.
O resultado decorre do crescimento de 3% nas exportações, diante de uma elevação de 8% nas importações. Considerando os últimos 12 meses encerrados em outubro, o déficit também aumentou, passando de US$ 594 milhões para US$ 770 milhões na comparação com o período equivalente anterior.
Buso observa que a melhora recente ainda é insuficiente para compensar a deterioração registrada em um período mais longo. Para ele, além dos efeitos das políticas comerciais dos Estados Unidos sobre as exportações, é importante acompanhar o crescimento das importações, que vem exercendo influência cada vez mais relevante sobre o saldo comercial do município.
O economista também chama a atenção para a possibilidade de novembro apresentar novamente um resultado positivo, seguindo um comportamento sazonal observado em 2024 e 2025.
Ranking
Com o desempenho de outubro, Piracicaba ocupa a 7ª posição no ranking de exportações do Estado de São Paulo e o 21º lugar no cenário nacional. Nas importações, o município aparece na 10ª colocação estadual e na 26ª nacional.
Análise completa
O economista Ricardo Buso apresenta uma avaliação detalhada do desempenho da balança comercial de Piracicaba, com comparações históricas, análise dos setores produtivos, impactos do cenário internacional e perspectivas para os próximos meses.
Leia a análise completa de Ricardo Buso
Tags:
Balança Comercial | déficit | Economia | Piracicaba | Recuperação