A Balança Comercial de Piracicaba registrou um mês de outubro bem interessante no que diz respeito ao saldo comercial (exportações – importações), em que pese permanecer negativo (mais importador), o que está longe de ser um problema, mas uma característica da economia local.
Quando analisamos o resultado em relação ao mês imediatamente anterior, setembro, a melhoria no saldo mostrou a trajetória de -US$ 106 milhões para – US$ 26 milhões. O movimento reflete o incremento nas exportações no período analisado, de 18% (de US$ 223 milhões/FOB para US$ 264 milhões/FOB), mas também o significativo encolhimento nas importações, de 12% (de US$ 329 milhões/FOB para US$ 290 milhões/FOB).
Entre os setores exportadores, Piracicaba mantém uma ordem de importância relativamente constante, sempre liderada com folga pelo grupo que produz máquinas pesadas para construção civil e mineração, que representou 54% de toda a exportação em setembro e 50% em outubro. A surpresa no mês foi constatada no segmento de barras de ferro ou aço, cujas exportações saltaram de US$ 3 milhões/FOB em setembro para US$ 44 milhões/FOB em outubro, equivalente ao crescimento de 1300%.
Com isso, a representatividade do segmento de barras de ferro ou aço no total de exportações evoluiu de 1% para 17% entre setembro e outubro de 2026.
Já nas importações, que demonstram sempre uma importância mais pulverizada por setor produtivo, os segmentos de “Partes de acessórios de automóveis” e “Partes de máquinas”, que lideraram nos últimos dois meses, mostraram reduções no volume financeiro, de 19% e 20%, respectivamente, entre setembro e outubro.
De qualquer forma, por mais simples que seja a análise dos dados, é muito fácil perceber o domínio da indústria metal mecânica na balança comercial e na corrente de comércio piracicabanas.
Ao mudarmos a base de comparação para considerar a sazonalidade, a análise outubro/25 X outubro/26 também revela melhoria no saldo comercial, de –US$ 141 milhões em 2025 para –US$ 26 milhões em 2026. Da mesma forma, o incremento se respalda tanto em crescimento das exportações quanto em queda nas importações, mas prevaleceu para o resultado a ampliação exportadora, de 47%, em relação a queda nas importações, de 10%.
Contudo, é importante levar em conta que a base de comparação, de outubro de 2025 pode ser considerada fraca, o que reduz (não neutraliza) o tamanho da melhoria. Desde que Donald Trump assumiu o governo dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, e o comércio internacional quase precisou ser reinventado, outubro de 2025 foi o mês de maior déficit na balança comercial piracicabana, de US$ 142 milhões.
A cronologia nos lembra que depois de tarifar o mundo em abril daquele ano, anunciar tarifas extras de 40% para o Brasil em julho, que passou a vigorar em agosto, em outubro a tensão se refletiu com maior intensidade na Balança Comercial, não só de Piracicaba, mas do Brasil todo. E em todas essas etapas da crise o setor de máquinas e equipamentos estava no topo das preocupações.
Alongando as análises de tendências, na comparação de janeiro a outubro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, o saldo comercial acumulado decaiu, de –US$ 608 milhões/FOB para –US$ 763 milhões/FOB, decorrente de crescimentos de 3% nas exportações e de 8% nas importações. Da mesma forma, a piora se registra quando comparamos os 12 meses acumulados terminados em outubro de 2026 com a mesma base em 2025: saldo variando de –US$ 594 milhões/FOB para –US$ 770 milhões FOB, como consequência dos crescimentos de 2% nas exportações e de 7% nas importações.
Assim, em que pese a melhoria recente nos dados, ela se mostra ainda insuficiente para compensar um período maior de deterioração. Mas, enquanto pensamos em quedas de exportações como resultado das políticas externas dos Estados Unidos, deixamos de acompanhar o crescimento das importações piracicabanas, que vem se mostrando mais relevante para a balança comercial no médio prazo.
Pensando logo à frente, sazonalmente novembro costuma ser um mês de saldos comerciais positivos em Piracicaba, comprovados em 2024 e 2025, quase como exceções absolutas dentro de cada ano, o que pode se repetir agora em 2026. E a recente desvalorização do Real (alta do dólar) logo após as eleições (puramente por questões de mercado, não de mudanças nos fundamentos) fortalece essa tendência, já que a exportação brasileira fica mais barato no exterior e a importação pelo Brasil se encarece.
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