O ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária de São Paulo, André Weiss, foi preso na manhã desta quinta-feira (3), em Piracicaba, durante a Operação “Caldarium”, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Ele é investigado por suposta participação em um esquema de corrupção relacionado à liberação e ao ressarcimento de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
A ação é conduzida pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e contou com o apoio de policiais militares do 10º BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia).
Weiss foi localizado em um imóvel no Condomínio Residencial Reserva do Engenho. As equipes chegaram ao endereço por volta das 6h para cumprir o mandado judicial. A diligência foi acompanhada por uma promotora de Justiça do GAECO, representantes do Ministério Público e integrantes da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Durante as buscas, foram apreendidos um celular, dois notebooks, dois pen drives, cinco pastas com documentos, um iPad, 1.400 euros e US$ 862 em dinheiro.
Os policiais também fizeram buscas em um Porsche Macan que estava estacionado na garagem do imóvel. Segundo o 10º BAEP, nenhum material ilícito foi encontrado no veículo.
As diligências foram registradas pelas COPs (Câmeras Operacionais Portáteis), utilizadas pelas equipes policiais durante a operação.
Duas prisões e 47 mandados
Além de Weiss, o advogado João André Buttini de Moraes foi preso preventivamente em São Paulo. Segundo o MPSP, ele é apontado como uma das principais lideranças do núcleo privado da organização investigada.
Ao todo, a Justiça autorizou dois mandados de prisão preventiva e 47 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais, profissionais e empresariais na capital, Grande São Paulo, interior do Estado e Mato Grosso do Sul.
A Operação Caldarium é um desdobramento da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025. A investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro relacionados a procedimentos tributários.
Investigação aponta cobrança de propina
De acordo com o Ministério Público, a investigação aponta que a propina cobrada para viabilizar operações envolvendo créditos de ICMS poderia chegar a 10% do valor do crédito que seria pago às empresas.
Ainda segundo as informações divulgadas sobre a investigação, um dos envolvidos teria confessado o recebimento de mais de R$ 13,6 milhões em propina nos últimos quatro anos.
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