Agradecimentos sem fim, acenos ao governo Lula, defesa da democracia e promessas de trabalho árduo. Foi assim que Raquel Lyra conduziu seu discurso de reeleição no hotel Beach Class Convention, em Boa Viagem. Ela chegou somente depois das 21h30min ao hotel, quando a apuração já se encaminhava para 99,7%. Foi acompanhada da vice, Priscila Krause, e do pai, o ex-governador João Lyra, entre outros aliados políticos.
No rápido discurso para a imprensa e apoiadores, Raquel Lyra se apresentou como uma mulher do interior de Pernambuco que representava quem não tinha voz. Disse que o novo governo já começa amanhã mesmo e que quer ser conhecida como a governadora das águas do estado Raquel Lyra comandou a concessão privada da Compesa por 35 anos, que foi leiloada em dezembro do ano passado.
Na fala, Raquel também defendeu uma imprensa livre e afirmou que não é um governo que faz chantagens. Agradeceu nominalmente a Lula por pelo menos três vezes, sendo sempre ovacionada pelos apoiadores. Disse que a partir de amanhã já vai voltar a procurar o Governo Federal novamente para novos investimentos no estado.
Ao ser perguntada sobre o apoio presidente no segundo turno, voltou a se declarar pernambuquista. Manterei minha coerência, mas isso não tira a minha gratidão ao presidente Lula, que abriu as portas do governo e dos ministérios para que conseguíssemos fazer nossas entregas, afirmou, citando o metrô do Recife e obras de habitação. Não respondeu se vai pedir voto para Lula.
A aposta em uma campanha desvinculada da disputa nacional entre Lula X Bolsonaro deu à governadora Raquel Lyra uma vitória em primeiro turno com 53,27% dos votos válidos, contra 44,82% de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife. O clima no hotel Beach Class Convention seguiu a linha em cima do muro da campanha, sem apoios efusivos a Lula nem a Flávio Bolsonaro. A maioria das camisas eram roxas, a cor da campanha de Raquel Lyra, com alguns gatos pingados de vermelho ou de verde e amarelo.
A vitória no primeiro turno, porém, não se transformou em influência para seus aliados. Os dois senadores eleitos foram os apoiados por João Campos Humberto Costa, com 27%, e Marília Arraes, com 24,9%. Eduardo da Fonte teve 13,8% dos votos e Túlio Gadelha, a peça de esquerda na chapa de Raquel, ficou em sexto lugar, com apenas 7,1%. Os três deputados federais mais bem votados também não são da coligação que a reelegeu.
Até o discurso de Raquel Lyra, João Campos (PSB) não havia declarado derrota publicamente. Na coletiva, a governadora afirmou que o ex-prefeito ligou para ela. Agradeci pela ligação e me coloquei à disposição para trabalhar ainda mais para o Recife, disse.
A comemoração para o eleitorado seguiu para o Marco Zero, palco histórico das vitórias da esquerda no Recife.
Campanha investiu no Grande Recife, reduto de João Campos
Enquanto esperavam a governadora reeleita, os apoiadores se confraternizaram com cervejas Heineken e whiskeys Buchanans e Blue Label. Havia um DJ tocando hits e uma animação de festa em salão de prédio. O clima geral era que a vitória ainda no primeiro turno veio porque “nada supera o trabalho”.
Presença constante na comunicação de Raquel Lyra, o secretário executivo de Comunicação Institucional do Governo de Pernambuco, Fúlvio Wagner, enalteceu a escolha do time da campanha e disse que o trunfo foi apresentar a governadora como uma pessoa de carne e osso que tem sentimentos e que acorda todo dia com o intuito de ajudar o próximo.
Antes de Raquel chegar, Fúlvio, que trabalhou também como coordenador geral de eventos na campanha, foi para a frente do espaço e puxou um Pai Nosso coletivo. Mas a espera foi eclética: teve também cantoria com o Hino de Pernambuco, gritos de Raquel é do povão, a mulher disparou, não para não, mainha e xô, fura-fila, em referência a João Campos.
Diretor executivo da campanha do PSD em Pernambuco, Bruno Oliveira falou que a estratégia da campanha desde o começo foi investir no Recife e na Região Metropolitana. A gente sabia que o ex-prefeito tem a sua força na capital, disse para a MZ. Investir no Recife ajudou fundamentalmente a consolidar essa vitória. Até porque a governadora já vem do interior e conta com o apoio de muitos prefeitos, com realizações inúmeras nas cidades, e isso foi fundamental.
O resultado desse investimento se refletiu no resultado na capital, onde Raquel equilibrou a disputa conquistando pouco mais de 46% dos votos contra pouco menos de 50% de João Campos. Em Olinda e Jaboatão dos Guararapes, seu desempenho foi ainda melhor, com quase 48% dos votos e 51,2%, respectivamente.
Raquel Lyra extravasou como não pôde fazer em 2022 após a morte do marido
Apesar da vitória de Raquel Lyra ter sido sem o apoio do presidente Lula, o diretor da campanha não vê isso como um movimento do eleitorado daqui para a centro-direita. Até porque Lula também vem com uma votação expressiva em Pernambuco. Eu acho que isso (a derrota de João Campos) vem muito do tipo de campanha, do tipo de política que o PSB faz. Acho que a população já entendeu que é hora de olhar para o futuro, olhar para frente. E a governadora vem representando isso com realizações, não com promessas, afirmou.
Sobre a posição em cima do muro de Raquel como pernambuquista, Bruno Oliveira afirmou que ainda é cedo para avaliar como será no segundo turno para a presidência. A governadora sempre, em todas as suas declarações, manifestou a sua gratidão ao presidente Lula. Ela não deixou de esconder isso, mesmo em alguns momentos isso até,talvez, podendo causar alguma perda política para ela. Lula foi muito importante para Pernambuco e essa parceria que é uma parceria institucional sim, não foi uma parceria política foi muito significativa e muito importante para Pernambuco, que é o que interessa à governadora Raquel Lyra.
- Colaborou Maria Carolina Santos
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