As exportações de Piracicaba somaram US$ 221,4 milhões em setembro de 2026, queda de 13,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar do recuo, o resultado está distante dos cenários mais pessimistas projetados para a economia local após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A avaliação é do economista Ricardo Buso, que destaca a capacidade de adaptação da economia piracicabana diante das barreiras comerciais.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações do município e concentram 49,1% das vendas externas, segundo os dados de setembro, mas a exposição ao mercado norte-americano, combinada à tributação de máquinas pesadas utilizadas na construção civil e no agronegócio, tornou Piracicaba a cidade mais afetata pelas tarifas norte-americanas.
“Piracicaba pode ser considerada uma ‘máquina de exportar’, que nos últimos 12 meses acumula vendas externas de US$ 2,7 bilhões/FOB, conjugada com uma perigosa exposição aos Estados Unidos de algo próximo de 50% do que vende ao mundo todo”, afirma Buso. Leia a análise completa do economista Ricardo Buso.
O economista pondera, porém, que os números disponíveis até agora não confirmam as previsões mais negativas sobre os efeitos das tarifas nas exportações, na arrecadação municipal e no mercado de trabalho.
“Não tenho dúvidas de que o potencial de Piracicaba poderia ser de números ainda melhores, mas, até agora (destaque-se), contraria muito as previsões mais sombrias que vi. A dinâmica econômica da cidade para desviar do que já era possível ter acontecido realmente impressiona”, avalia.
Máquinas pesadas perdem participação nas exportações
O segmento de máquinas pesadas da chamada linha amarela, que atende aos setores de construção e agronegócio, continua na liderança das exportações de Piracicaba. Em setembro, esses produtos responderam por 55% do total vendido ao exterior, ante uma participação de 70% em 2025.
O valor exportado pelo segmento caiu 13,25% na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Segundo Buso, outros setores relevantes para o comércio exterior do município, também sujeitos às tarifas norte-americanas, apresentaram retração mais acentuada.
As exportações de partes de máquinas recuaram 54%, enquanto as de máquinas e aparelhos para colheita e debulha de produtos agrícolas caíram 33% no período. Em contrapartida, alguns produtos ampliaram sua participação nas vendas externas. O açúcar registrou crescimento de 348% na comparação anual, a maior variação entre os segmentos destacados pelo economista. As exportações de automóveis avançaram 36%, enquanto as de grupos eletrogêneos cresceram 28%.
Importações ampliam déficit comercial
Outro ponto de atenção está no saldo comercial de Piracicaba, que corresponde à diferença entre exportações e importações. Em setembro, o município importou US$ 329 milhões, enquanto as exportações totalizaram US$ 221,4 milhões.
Com isso, o saldo ficou negativo em US$ 107,6 milhões, quase o dobro do déficit registrado em agosto, quando as exportações somaram US$ 272 milhões e as importações chegaram a US$ 331 milhões. Naquele mês, o resultado negativo foi de aproximadamente US$ 59 milhões.
Na comparação anual, as importações de setembro cresceram 6,4%, enquanto as exportações recuaram 13,2%. A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, atingiu US$ 550,3 milhões, queda de 2,5% em relação a setembro de 2025.
Emprego e arrecadação
Buso também analisa indicadores que ajudam a dimensionar os possíveis efeitos das tarifas sobre a economia municipal. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Piracicaba criou 2.448 empregos formais de janeiro a agosto de 2026, crescimento de 1,70%.
Na área fiscal, o economista cita o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) elaborado pela Prefeitura até junho. De acordo com sua análise, as receitas correntes acumuladas no primeiro semestre correspondiam a 53% da previsão inicial para o ano.
Para o economista, esses indicadores, considerados em conjunto com o desempenho das exportações, não apontavam, até o período analisado, uma deterioração econômica da dimensão que chegou a ser projetada após o anúncio das tarifas.
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