Entre tantas idas e vidas da absurda retaliação dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras, em especial desde agosto, quando foram implementadas tarifas de 25% sobre o que os norte-americanos importam do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio (com muitas exceções pela dependência que têm do Brasil), o município de Piracicaba foi classificado como o mais afetado no Brasil. Isso decorre principalmente do fato de que o segmento líder nas vendas para lá, de máquinas pesadas da linha amarela para construção e agro não tenha integrado as exceções à tarifa.
Piracicaba pode ser considerada uma “máquina de exportar”, que nos últimos 12 meses acumula vendas externas de US$ 2,7 bilhões/FOB, conjugada com uma perigosa exposição aos Estados Unidos de algo próximo a 50% do que vende ao mundo todo.
Um cenário assim, naturalmente dispara projeções das mais pessimistas ao município desde que começaram as ameaças de Trump no início de seu governo atual. Exportações, arrecadação municipal e empregos sofriam das expectativas mais pessimistas possíveis.
Mas o tempo, pelo menos até o momento, vem mostrando uma realidade que passa muito longe do que já foi previsto: o total exportado em setembro de 2026 recuou pouco mais de 13% em relação ao mesmo mês de 2025, que podemos considerar moderado quando pensamos na exposição aos Estados Unidos e nas tarifas ao principal setor; para as finaças do Município, ainda que em análise superficial, o Orçamento continua crescendo e, de acordo com o RREO (Relatório Resumido de Execução Orçamentária) elaborado pela Prefeitura até junho, nesse período de 6 meses do ano as Receitas Correntes já atingiram 53% da previsão inicial, o que exclui a hipótese de surpresas; já no que diz respeito aos empregos, no acumulado do ano até agosto, Piracicaba criou 2.448 postos de trabalho formal, segundo o Caged, o que corresponde a um crescimento de 1,70%.
Não tenho dúvidas de que o potencial de Piracicaba poderia ser de números ainda melhores, mas, até agora (destaque-se), contraria muito as previsões mais sombrias que vi. A dinâmica econômica da cidade para desviar do que já era possível ter acontecido realmente impressiona.
No mês de setembro o principal setor exportador, de máquinas pesadas da linha amarela para construção e agro, registrou queda de 13,25% no valor total exportado, em relação ao que apresentou em setembro de 2025. De uma participação de 70% sobre o total exportado lá em 2025, agora ela decaiu para 55%, que, apesar da força do movimento, ainda se mantém muito significativo.
Aí vale destacar que outros setores tradicionalmente relevantes na exportação piracicabana e que estão taxados pelos Estados Unidos também registraram queda no valor total exportado em setembro 2025 e setembro de 2026: Partes de Máquinas -54% e Máquinas e Aparelhos para Colheita e Debulha de Produção Agrícola -33%.
Por outro lado, no mesmo período de comparação, o Açúcar foi campeão em variação nas exportações da cidade, crescendo incríveis 348%. Os segmentos de Automóveis e Grupos de Electrógeos também ganharam participação no total registrando expressivos crescimentos de 36% e 28%, respectivamente.
Já analisando um horizonte bem curto, entre agosto/26 e setembro/26, vale observar a sensível piora no Saldo Comercial (diferença entre exportações e importação) de Piracicaba. Em agosto, com exportações de US$ 272 milhões e importações de US$ 331 milhões, o saldo comercial foi negativo em US$ 59 milhões; em setembro as exportações foram de US$ 221 milhões e as importações de US$ 329 milhões, o que levou ao saldo ao patamar negativo em US$ 108 milhões, quase o dobro da piora do mês anterior.
Enfim, o tarfiaço realmente ameaçou Piracicaba, mas parece estar longe de uma mudança na dinâmica econômica local, assim como a profundidade dos impactos negativos.
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