Muitos alunos com certeza vão pra escola pra ter uma refeição adequada e pra mim é inadmissível uma criança sair com fome, relata a estudante de pedagogia Mônica de Oliveira, 38, que denunciou o racionamento de merenda na escola municipal Reynaldo Ramos de S. da Gama, no bairro Jardim Nossa Senhora de Fátima, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A situação se reflete em outras seis escolas do município.

O problema foi denunciado por moradores e também chegou a Câmara Municipal. Entre os problemas para o abastecimento estaria atrasos nos pagamentos.

Durante sessão da câmara da última quarta-feira (21), o vereador Abidan Henrique (PSB) apontou que a prefeitura deve R$ 30 milhões para a PRM Serviços e Mão de Obra Especializada Eireli.

A sessão com os vereadores ocorreu na Câmara Municipal na última quarta-feira (21) e contou com a presença de moradores da região @Felipe Barbosa/Agência Mural

De acordo com o Portal de Transparência do município, o estoque de restos a pagar da prefeitura para a empresa atingiu R$ 37 milhões. Em 2024, a maior parte do serviço foi paga, restando cerca de R$ 1,15 milhão em aberto. A partir de 2025 houve um acúmulo expressivo de obrigações não pagas.

As crianças dessa cidade não podem pagar o preço da incompetência desta gestão, disse o vereador Abidan Henrique na câmara. Ele apontou que ao menos 6 escolas estão enfrentando pouca ou a falta total de merenda, em divergência com as obrigações contratuais de distribuição ao menos três vezes por semana.

Entre elas, as escolas municipais Reynaldo Ramos de S. da Gama, Amilton Sugga Gallego, Astrogilda De Abreu Sevilha, Paulo Freire, Nilza Prestes e o Núcleo de Educação Infantil São Marcos.

Abidan exigiu um posicionamento da Secretaria de Educação e da prefeitura e tentou formalizar a solicitação por meio de um requerimento. A proposta deve exigir um balanço do estoque de merendas escolares e o cardápio.

O requerimento de Abidan não foi submetido a votação por falta de quórum. Na sessão da câmara desta quarta (28) a solicitação do requerimento foi rejeitada pela base do prefeito Hugo Prado (Republicanos).

Funcionários de escolas municipais denunciam má qualidade dos alimentos e mudanças recorrentes no cardápio escolar @Felipe Barbosa/Agência Mural

A maioria dos vereadores declararam que as denúncias de Abidan são infundadas. Em momento algum o prefeito foge de estar colocando todas as questões e os benefícios que correspondem às políticas públicas, que correspondam diretamente com as necessidades da nossa cidade. É mentira o que ele [Abidan] fala relacionado à merenda, afirmou o vereador Léo Novais (PL).

Retirada de alimentos

Mônica é membro do conselho de pais e estagiária da escola Reynaldo Ramos de S. da Gama e contou em vídeo publicado nas redes sociais que um funcionário sem identificação retirou 30 kg de carne bovina e 20 kg de frango da cantina na segunda (20).

Acompanhei o almoço com meu aluno e vi que colocaram pouca comida e não tinha repetição porque não tinha mais proteína, pontua Mônica sobre a situação na Reynaldo Ramos de S. da Gama.

Ela cita que, na terça (20), as merendeiras estavam desesperadas porque a comida estava prestes a acabar.

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Um dia desses elas [merendeiras] fizeram milagre com melão, deram uma mini fatia pra cada um que parecia um papel, relata uma funcionária da escola José Arnaldo Melloni, no bairro Jardim Silvia, que não quis ser identificada.

Ela cita a quantidade reduzida de frutas e feijão por semanas seguidas, somada à qualidade inferior da carne moída utilizada. O cardápio nem sempre segue a risca por causa dessas coisas, diz uma professora da rede municipal que também pediu para não ser identificada por medo de retaliações.

Ela informou que desde semana passada a empresa terceirizada não aparece e que a diminuição de oferta dos alimentos e substituições do cardápio têm sido constantes.

Ela também critica a má qualidade das proteínas e afirma ainda que as crianças mastigam e cospem o frango porque não conseguem engolir direito por ser duro. A profissional também comenta que o racionamento de merenda é defendido pela nutricionista da escola, que avalia como suficiente a quantidade servida para os alunos.

A Agência Mural tentou contato com a secretaria de educação de Embu das Artes e a PRM Serviços e Mão de Obra Especializada Eireli, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria.

Agência Mural

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