Às vésperas do segundo turno das eleições, diferentes instituições intensificaram a pressão sob o Governo de Pernambuco para garantir a gratuidade do transporte público urbano e intermunicipal em todo o estado no dia da votação. Em manifestações encaminhadas à gestão estadual, Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), Ministério Público Eleitoral (MPE), Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Federação Brasil da Esperança defenderam a medida como condição para assegurar o direito ao voto.

Até o fechamento deste reportagem o governo Raquel Lyra não se posicionou.

A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, fez um pedido ao TRE-PE argumentando que a gratuidade adotada no primeiro turno apenas na Região Metropolitana do Recife deveria ser ampliada para todo o território pernambucano. O presidente da federação em Pernambuco, Carlos Veras, sustentou que o custo das passagens não pode se tornar um obstáculo ao exercício do voto, especialmente para moradores do interior.

O direito ao voto não pode depender do dinheiro da passagem. Cabe ao Governo do Estado cumprir a legislação e garantir transporte gratuito em todo Pernambuco, para que ninguém deixe de votar por falta de transporte, afirma Carlos Veras.

Após analisar o pedido, o TRE-PE encaminhou, na última segunda-feira (19), o ofício à governadora Raquel Lyra cobrando providências para garantir transporte intermunicipal gratuito em todas as regiões do estado, incluindo Zona da Mata, Agreste e Sertão.

O tribunal ressaltou que a gratuidade nos dias de votação não é uma escolha administrativa, mas uma obrigação prevista na legislação eleitoral, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF nº 1.013/DF e expressamente disciplinado pelo art. 23 da Resolução TSE nº 23.751/2026. Também defendeu que a operação ocorra com frequência semelhante à praticada em dias úteis.

O Ministério Público Eleitoral reforçou a cobrança ao notificar empresas de transporte para que mantenham a oferta de ônibus em nível compatível com os dias úteis e divulguem previamente itinerários e horários disponíveis. A instituição alertou que a redução do serviço no dia da eleição pode configurar impedimento ao exercício do voto e solicitou informações à Justiça Eleitoral sobre o atendimento a moradores de áreas rurais, comunidades indígenas, quilombolas e demais populações tradicionais.

Já o MPPE direcionou sua atuação à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) e à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi). O órgão recomendou a manutenção integral das linhas e da frota, sem redução de horários, além da fiscalização do cumprimento da gratuidade pelas operadoras. Também pediu planejamento específico para atender pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e a criação de canais de atendimento para registro de problemas durante o dia da votação.

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