Enquanto cata sururu na Ilha de Deus num fim de manhã, Cíntia Alves, 49 anos, conta que estava grávida de nove meses do segundo filho quando passou o dia todo na maré. Chegou em casa, tirou a lama do corpo e foi para a maternidade. Criou sozinha os dois filhos com o dinheiro que conseguia vendendo o que pegava na maré. Hoje, diz que isso não é mais possível. Há muitos anos que ninguém mais pega sururu na Ilha de Deus. Para encontrar o marisco, pescadores têm que ir para depois da ponte do Pina: lá para os arredores da escultura de Brennand, na ponte do Limoeiro ou até em Olinda. O sururu, tão amado pelos recifenses, está sob ameaça.
Moradora da Comunidade do Bode, no Pina, outro território pesqueiro do Recife, Juliana Maria dos Santos, de 45 anos, começou a pescar aos sete anos com os pais e segue até hoje. Aprendeu cedo que em época de chuva o sururu diminui. Mas a cada ano essa diminuição tem se acentuado. “Eu fui para a maré ontem [final de julho] e peguei dois quilos de sururu. Isso é muito pouco. Está um bolinho aqui, um bolinho ali. Não é mais como antigamente, afirma, dizendo que o tempo de procura pelo sururu tem aumentado. “Eu ando duas, três horas para poder achar o sururu e depois mergulhar.
O sururu vende fácil, mas a margem é curta. Segundo as pescadoras, uma galé cheia rende cerca de três quilos de massa limpa quando o marisco está magro, como está agora. Desses, R$ 30 vão para quem cata. O quilo é revendido por algo entre R$ 25 e R$ 30.
A pescadora Juliana Maria demora mais tempo procurando sururu do que efetivamente pescando.
Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero
Em Brasília Teimosa, a marisqueira Edileuza Silva do Nascimento, mais conhecida como Leu, de 72 anos, diz que de vez em quando ainda sai para mergulhar. Mas sururu não tem mais de jeito nenhum. A gente vai e às vezes não pega um. Marisco a gente só pega um pouquinho, mas não como antes. É muita poluição, muito lixo, muita garrafa pet, muito vidro. A poluição acabou com o rio Capibaribe, lamenta ela, que, em 2024, recebeu o título de patrimônio vivo do Recife por seu notório saber na pesca.
Os motivos para a escassez do sururu são muitos e nem todos consensuais entre pesquisadores, pescadores e marisqueiras. O mais citado é a falta de saneamento, somada ao lixo despejado no estuário e ao assoreamento dos rios. Mas há também o que não se resolve localmente: o aquecimento dos oceanos e a alteração no regime de chuvas, efeitos das mudanças climáticas. Entram na lista ainda a pesca de mariscos pequenos demais e o possível aparecimento de uma espécie invasora.
Na bacia do Pina existe pelo menos uma dúzia de causas para a quantidade de sururu variar, e elas atuam simultaneamente, diz a oceanógrafa Mônica Costa, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Mônica Costa afirma que as reclamações sobre a escassez do sururu no Recife são válidas, mas não são novas. Se a gente for buscar nos registros, desde o século XIX que os pescadores estão falando disso. O que não diminui a importância do alerta, porque eles estão lá todo dia, estão vendo que as coisas mudam, diz. “Qualquer dia, ou semana, ou mês que os pescadores voltam para casa com menos do que o esperado forma um rombo enorme num orçamento que já é muito pequeno”, acrescenta.
A oceanógrafa explica que as mudanças que têm acontecido no estuário são importantes, principalmente o acúmulo de sedimentos. Mas não adianta apenas fazer dragagens em pontos específicos, já que toda a bacia do rio Capibaribe está comprometida. Dragagens, sozinhas, não resolvem o problema.
“Desce muita terra para os rios por causa da erosão, da falta de mata ciliar e isso acaba assoreando a bacia. Essa mudança é silenciosa. Vai acontecendo aos pouquinhos e quando você vê está tudo diferente. A questão do Capibaribe tem solução técnica conhecida, mas não tem solução política. O problema não é só no Recife. O problema é integrado, desde lá de Poção até aqui embaixo”, afirma Mônica Costa, acrescentando que a revitalização do rio é um projeto longo, que ultrapassa o ciclo eleitoral: “precisa de uma política pública que amarre o pé e a mão do governador e dos prefeitos, com obrigação de fazer, porque quatro anos não é suficiente.
O biólogo Gilberto Rodrigues, professor de ecologia na UFPE, explica como as mudanças nas chuvas e o assoreamento dos rios influenciam na quantidade de sururu disponível. O sururu precisa de uma variação de tempo dentro e fora da água para se reproduzir e crescer. No período em que ele está submerso, ele se alimenta e engorda. No período em que está fora da água, ele metaboliza. O sururu ou está ficando muito tempo no seco, sem se alimentar, ou está ficando muito tempo dentro d’água e não consegue metabolizar o alimento e acaba morrendo, diz. Essa falta de equilíbrio também é a provável causa da diminuição do tamanho do marisco. “Não se pega mais sururu gordo, afirma.
Para Mônica Costa, as mudanças climáticas podem ser a pá de cal na pesca artesanal do Recife. A tendência é que a água vá ficando mais quente, e água quente significa menos possibilidade de sobrevivência. As espécies não conseguem se adaptar tão rápido quanto a mudança acontece, diz. “É possível que a atividade pesqueira exista, desde que ela não seja a principal fonte de renda, acrescenta, afirmando que o mais urgente é uma solução social e econômica, que garanta a dignidade das famílias pesqueiras mesmo em períodos de baixa produção.
Projeto analisa situação da pesca artesanal no Nordeste
Nenhum órgão público registra quanto sururu sai dos estuários do Recife. A estatística pesqueira nacional ficou 13 anos sem ser publicada e o painel lançado pelo Ministério da Pesca em 2025 não inclui a pesca de mariscos catados em rios urbanos.
Uma pesquisa do projeto Rede Maris, com financiamento do CNPq, está aprofundando a análise sobre o que está acontecendo com a produção de marisco no litoral nordestino. É um projeto que envolve universidades de todo o Nordeste, como a Universidade de Pernambuco (UPE). A pescadora e estudante de biologia Ana Mirtes Ferreira participou da pesquisa de campo na Ilha de Deus.
Acompanhamos os pescadores da Ilha desde agosto de 2025 até julho deste ano e o que vimos é que a pesca está bem precária. Os pescadores dizem que não é mais garantido sobreviver só da pesca na cidade do Recife. Dizem que pegam mais lixo do que sururu. Antes, em questão de uma hora, se pegava até oito baldes, agora passam cerca de três, quatro horas para pegar a mesma quantidade. É mais tempo caçando o sururu do que pescando o sururu, relatou.
Outra angústia que a pesquisa capturou é que os pescadores e pescadoras não pretendem repassar os saberes tradicionais para seus filhos. Não é porque é uma profissão que traz vergonha, e sim pela falta de segurança, de valorização também do próprio produto e também pelo risco de acidente com material hospitalar e material de construção. E muitas vezes o INSS não assegura, não associa os acidentes sofridos à atividade, disse Mirtes. O projeto Rede Maris teve início em 2024 e a pesquisa completa deve ser publicada no começo do próximo ano.
Sem defeso, pesca do sururu não tem pausa no Recife
Uma questão delicada para a escassez do sururu é a sobrepesca: quando a retirada do marisco é maior do que sua capacidade de se reproduzir. Pescador de Brasília Teimosa, Rosiélio Pereira de Paula, 80 anos, afirma que hoje há mais gente indo para a maré sem conhecer os ciclos do sururu e quando ele deve ser retirado ou não. Tem muita gente que vai só para pegar e vender, sem ninguém para ensinar, queixa-se.
As próprias lideranças reconhecem que a sobrepesca é hoje um dos muitos problemas do sururu. Edvalda Ramalho, mais conhecida como Valma, preside a Colônia de Pescadores Z-20, de Igarassu, que tem quase sete mil associados, sendo 90% deles mulheres marisqueiras. “Quando se passa a pegar o marisco que não está no tamanho ideal, passa a ser pesca predatória. O que vai acontecer é o maior impacto ambiental e o reflexo é acabar o sururu”, conclui.
É esse impasse que a oceanógrafa Mônica Costa, da UFPE, tem em vista quando fala do papel da própria pesca na escassez. “Da mesma forma que eu compreendo que existe um lado fraco da corda, eles também estão puxando a corda”, afirma. “A pesca artesanal é uma questão de saber tradicional. Se você não se apropria desse saber, você ajuda a detonar o recurso.”
Ela se refere às regras que os pescadores mais velhos seguiam e que hoje estão se perdendo, como deixar uma área descansar depois de ter sido explorada. De família pesqueira, Jandira Rodrigues, da Comunidade do Bode, descreve como funcionava: quando acabava o sururu num ponto, todos corriam para outro, e quando voltavam, dias depois, o primeiro já tinha se recomposto. “Hoje não tem nem aqui, nem lá”, lamenta.
O problema é que ninguém pode parar. “O marisco se reproduz o ano todo e migra. Porém, no período chuvoso ele se reproduz mais ainda. Mas não é respeitado esse período. Porque o pescador, se não pescar, vai sobreviver de quê?”, questiona Valma. “Como é que eu vou proibir o pescador? Eu não tenho poder para isso, não é minha competência. Mas para eles deixarem de pescar e ser proibido, tem que ter um defeso. Tem que receber”, cobra a presidente da colônia.
A comparação que ela faz é com a lagosta, que tem defeso instituído e seguro pago pelo governo federal. “Os pescadores de lagosta ficam em casa, recebendo um salário mínimo”, diz. Para o marisco e o sururu, o que existe é apenas o Chapéu de Palha, um programa estadual que beneficia também pescadores e pescadoras artesanais.
Beneficiamento do sururu está mais demorado e expõe marisqueiras a riscos de saúde. Na foto, Cíntia e Edilene, da Ilha de Deus
Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero
Sandra da Silva Lima, presidente da colônia de pescadores Z-1, no Recife, conta que já foram feitas várias reuniões para que esse defeso seja estabelecido, mas falta apoio político. “Nesse período de chuvas, são quatro meses que a gente tem o programa Chapéu de Palha, que não impacta muito devido a alguns vínculos que tem com o Bolsa Família, explica. “O defeso seria justamente para esse período mais difícil para as marisqueiras, para que elas pudessem manter suas casas, cobra.
Representante voluntária da colônia Z-1 na Ilha de Deus, Érika Romão explica que há desconto no Chapéu de Palha para quem é beneficiário do Bolsa Família. Acho que isso é uma injustiça. Eu e meu esposo somos pescadores: sou do Bolsa Família e ele é do meu cadastro. Recebe só R$ 150. Eu tenho uma irmã, também pescadora, que recebe pouco mais de R$ 380, porque ela não tem Bolsa Família, explica. Eu já acho um dinheiro tão pouco. Porque não dá para sobreviver com um salário direito, imagina com R$ 150″.
Procurado pela reportagem, o Governo de Pernambuco confirmou, por meio da Secretaria de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional (Seplag), que há um teto menor para quem recebe o Bolsa Família. O benefício do Chapéu de Palha no segmento da pesca artesanal é de até R$ 387,94, pagos em até cinco parcelas. Para quem também for beneficiário do Bolsa Família, o governo do estado paga apenas R$ 150, valor definido como bolsa mínima pela Lei nº 14.492/2011.
Sobre o pedido das colônias para desvincular os dois programas e equiparar o valor a um salário mínimo, a Seplag não informou se há avaliação em curso. Respondeu apenas que, em 2023, a legislação foi alterada para aplicar reajuste de aproximadamente 38% e acrescentar uma quinta parcela ao programa. Em 2026, foram beneficiadas 6.032 pessoas em 58 municípios, sendo 600 no Recife, com investimento de aproximadamente R$ 6,4 milhões. O pagamento vai de maio a agosto, período que, segundo a secretaria, corresponde à escassez natural dos estoques de sururu e marisco no litoral e aos meses mais chuvosos.
Para receber o benefício é preciso comprovar a atividade por meio do Registro Geral da Pesca, emitido pelo órgão federal, e não estar recebendo aposentadoria ou pensão do INSS, seguro-desemprego ou seguro-defeso. Não há previsão para quem cata e beneficia o pescado sem registro, que é a situação de parte das mulheres ouvidas nesta reportagem.
Questionado sobre ações do estado diante da queda na produção da Bacia do Pina, seja de apoio à renda, saneamento ou dragagem, o Governo de Pernambuco não respondeu: limitou-se a dizer que as ações do Chapéu de Palha seguem o que estabelece a lei do programa.
Pescadores têm que ir cada vez mais longe para achar sururu.
Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero
Lixo dá mais trabalho no beneficiamento do sururu
Para se fixar em pedras, pontes e cascos de navio, o sururu produz um filamento de proteína que endurece em contato com a água, o bisso. Esses fios também prendem os indivíduos uns aos outros, formando um “tapete” no leito do estuário. Quando mergulham, os pescadores trazem à superfície a manta inteira. E como o sururu não escolhe onde se fixar, vem junto o lixo que se acumulou no fundo: embalagens, caco de vidro, até agulhas.
Em todas as catações que a Marco Zero registrou na Ilha de Deus e no Bode havia muito lixo. E isso faz com que o trabalho das catadoras, quase sempre mulheres, demore muito mais. “Antigamente o sururu vinha limpinho. Agora a gente tem que estar com cuidado para não pegar uma agulha, para não pegar um vidro, diz Edilene Maria Alves da Silva, 58 anos, nascida e criada na Ilha de Deus.
Antes de ser vendido, e depois da catação para separá-lo do lixo, o sururu é fervido, para a abertura da casca, retirado na unha e novamente catado. Se antes era comum ver muitas mulheres na maré, hoje elas ficam mais nas etapas feitas em terra. “As mulheres não estão indo pescar. A maioria está catando. Os homens vão na baiteira, recolhem, trazem para elas beneficiarem. Eles é que fazem o mergulho. Tem algumas mulheres que vão, mas hoje 80% são homens”, detalha Sandra da Silva Lima, da colônia Z-1.
Espécie invasora pode ameaçar o sururu nativo
Nas muitas entrevistas realizadas para esta reportagem, vários pescadores e pescadoras citaram um sururu que não prestava para comer ou um sururu branco. “O sururu que dá junto do shopping Rio Mar é aquele sururu branco, que não tem carne, nem nada. Não adianta pegar ele. Está lastrado lá, mas de sururu branco, contou Juliana Maria dos Santos.
O professor Gilberto Rodrigues acredita que pode se tratar de uma espécie invasora, já registrada em Alagoas. Eu ainda não tenho o registro dele no Recife, mas não significa que ele não esteja aqui, diz.
Marisqueiras ouvidas pela Marco Zero dizem que o sururu branco não é tão saboroso quanto o sururu nativo. Os relatos de Alagoas, onde mais de 3 mil pessoas sobrevivem da pesca do sururu, afirmam que é um marisco de casca fina e que se desfaz ao ser cozinhado, o que inviabiliza o consumo e a venda, causando prejuízo econômico.
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mostrou que o sururu branco tolera melhor do que o nativo as condições da água poluída: pouco oxigênio, muito sedimento, salinidade e temperatura altas. Isso pode ser uma vantagem no estuário do Recife. E como as duas espécies ocupam o mesmo habitat, o risco é que o branco vença a disputa.
Infecções, lesões e sol: os riscos do trabalho das marisqueiras
A saúde também é cobrada. Edilene reclama que não enxerga mais bem no sol. Cíntia Alves parou porque não aguentava mais as dores no corpo. Mesmo na catação há riscos. Edilene estende as mãos recém-curadas de feridas que coçavam muito. Foram duas semanas afastadas do beneficiamento do sururu, com uma doença dermatológica que ela acredita ter contraído separando o sururu do lixo e da lama poluída. “A médica disse que era germe da lama, conta. “Sou nascida e criada aqui na Ilha de Deus, sempre pesquei e nunca peguei essas coisas, nunca tive esse negócio de germe, nada. Estou com medo que volte de novo. Recomendaram a luva, mas eu não sei trabalhar com luva, afirma.
Mestre em saúde pública, Alyne Nascimento afirma que é preciso pensar em soluções coletivas para proteger a saúde das marisqueiras. “É muito difícil a gente chegar e falar: precisa usar luva. Na verdade, o debate precisa ser outro, para além disso: precisamos muito mais dar atenção às questões coletivas, à raiz do problema, que é a questão da poluição, do que focar no risco individualmente, afirma a biomédica e sanitarista, que pesquisa na Ilha de Deus desde 2020, quando participou de inquérito epidemiológico sobre os impactos do derramamento de óleo de 2019 no litoral pernambucano.
O trabalho de beneficiamento do sururu é majoritariamente feito por mulheres
Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero
Pós-doutorando em saúde pública na Fiocruz Pernambuco, o pesquisador José Erivaldo Gonçalves participou da condução de uma cartografia com pescadoras da Ilha de Deus, dentro do Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho da Fiocruz. “Quando elas foram mapeando os lugares que pescavam sururu, esses lugares estavam muito interligados aos lugares que têm água poluída, que têm o despejo de esgotos naquela região, afirmou.
Foram identificados vários problemas de saúde por conta do trabalho na maré, como infecções geniturinárias recorrentes. “Há também muitos problemas dermatológicos, inclusive o câncer de pele. Muitas vezes não usam protetor solar, porque é caro. O que muitas mulheres fazem é passar querosene na pele, por conta dos mosquitos que têm no mangue. Então, é mais um processo de exposição a hidrocarbonetos. Ao mesmo tempo que elas se dizem felizes fazendo esse trabalho, ele também é adoecedor, pondera Erivaldo.
Outro problema encontrado na saúde das mulheres que trabalham ou trabalharam na maré foi por conta da postura durante a coleta dos mariscos. É um trabalho que exige ficar na mesma posição durante muito tempo. Acaba por ocorrer lesões por esforço repetitivo, doenças osteomusculares”, detalha Alyne.
Com o sururu sob ameaça, o meio ambiente degradado, pescadoras adoecidas e políticas públicas insuficientes, o futuro da pesca artesanal no Recife é incerto. Ao posar para uma foto desta reportagem, Érika Romão teme que a profissão que o pai ensinou a ela vá parar no museu. Esta foto vai ficar para, no futuro, dizerem: aqui era uma pescadora, isso aqui era um barco, isso aqui era um sururu que existia, mas não existe mais, disse. Quando eu engravidei, há 19 anos, meu pai perguntou: como você vai criar seu filho, pescando? E eu criei meu filho na pesca. Hoje em dia eu tenho uma menina de oito anos e eu não sei mais o que é pescar. Vou criar minha filha na pesca? Não dá mais.
Érika Romão teme pelo futuro da profissão que aprendeu com o pai