por Ana Maria Franca*
Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes.
Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual Juntos Pela Segurança com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais até 2026. No entanto, a poucos meses do prazo estabelecido pelo próprio governo, o Relatório Anual do Fogo Cruzado indica que as metas de segurança pública seguem distantes da realidade. Enquanto a governadora comemora reduções pontuais, Pernambuco bate recordes históricos de violência armada.
Em 2025, a região metropolitana do Recife registrou recordes em três indicadores críticos: 16 crianças de 0 a 11 anos baleadas, o maior número desde 2019; 132 adolescentes de 12 a 17 anos baleados; e 72 pessoas foram vítimas de bala perdida, um aumento de 49% em relação a 2024 e recorde nos últimos sete anos.
Os dados contrastam com a narrativa governamental. A taxa de Mortes Violentas Intencionais foi de 32,74 por 100 mil habitantes em 2025 uma redução que a governadora celebra, mas ainda muito distante da meta de 26,5 prometida para 2026.
A estratégia do governo tem sido priorizar o investimento no aumento de efetivo policial e aparato bélico. No entanto, os recordes mostram que insistir na lógica do confronto e da ostensividade não protege quem mais precisa.
Entre abril de 2018 e dezembro de 2025, período em que monitoramos a região, 902 adolescentes foram baleados no Grande Recife, sendo que 42% dessas vítimas ocorreram durante a gestão Lyra. E as circunstâncias dessas mortes revelam um padrão: 96% foram homicídios diretos.
Chama atenção também que quase 80% das mortes violentas intencionais foram cometidas com armas de fogo, mas o plano estadual não apresenta estratégias específicas para reduzir a circulação desses armamentos.
Em ano eleitoral, o governo Lyra tende a apresentar investimentos em efetivo e equipamentos como avanços, mas crianças e adolescentes que fazem parte do grupo prioritário do plano continuam desprotegidos, as disputas entre grupos armados explodiram e o recorde de vítimas de balas perdidas mostra o descontrole da violência armada.
Os dados produzidos pela sociedade civil são importantes para a população compreender de fato o que acontece em suas cidades, para além dos dados oficiais. Metas e promessas precisam ser checadas. E as informações produzidas pelo Fogo Cruzado estão à disposição para isso.
*Ana Maria Franca é coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco
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