Após três dias de registro da ocorrência e do reconhecimento pela vítima do policial acusado de estupro dentro do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) durante uma abordagem de blitz, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, veio a pública informar o reconhecimento e afastamento do militar. O caso aconteceu no último fim de semana no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul do estado. Muitas lacunas, porém, ainda não foram preenchidas, segundo a defesa da vítima e a Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE.
Eram 8h02min quando a Marco Zero Conteúdo recebeu por e-mail a nota oficial da PM anunciando que iria afastar o policial assim que ele fosse identificado, algo que a vítima já tinha feito quando estava na delegacia da Mulher. Às 14h28min, o Jornal do Commercio publicou em seu site declaração do secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, assegurando que o policial militar havia sido afastado de suas funções.
Naquele momento, no entanto, dois plantonistas do posto policial da PE-60 na noite do estupro estavam começando a prestar depoimento após uma fracassada sessão de reconhecimento no quartel do Derby.
No final da tarde, pouco depois das 17h, em entrevista para emissoras de televisão, Carvalho considerou o crime como inadmissível a violência praticada por um agente do Estado no interior de uma repartição pública, mas garantiu que é uma exceção, pois repudiamos de forma veemente e todas as providências estão sendo tomadas. Ele disse que determinou o afastamento do suspeito e de toda sua equipe.
O terceiro plantonista do posto do BPRv da rodovia PE-60 na noite do estupro não apareceu para a sessão de reconhecimento formal. Intimado, alegou estar de licença médica por ter sofrido uma queda no final de semana. No quartel, onde passaram a tarde acompanhando a vítima, a advogada Maju Leonel e a presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, Nara Santa Cruz Oliveira, afirmaram que, em nenhum momento, o afastamento do acusado foi informado ou sequer confirmado pelos oficiais que conduziram os procedimentos.
As advogadas afirmaram que o comando da corporação se recusou até a fornecer os nomes dos suspeitos e dos outros policiais plantonistas que estavam de plantão na noite do crime. As demais informações solicitadas pelas advogadas também foram negadas. Não temos acesso ao inquérito, aos procedimentos que estão sendo realizados, a nada, queixou-se Maju Leonel.