As exportações de Piracicaba alcançaram US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026, resultado 3,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os dados são do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Apesar da retração nas vendas ao exterior, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — cresceu 4,8%, chegando a US$ 3,1 bilhões entre janeiro e junho.
As importações tiveram desempenho oposto ao das exportações e avançaram 11,7%, totalizando US$ 1,8 bilhão. Com isso, Piracicaba encerrou o semestre com déficit de US$ 511 milhões na balança comercial.
No cenário estadual, o município respondeu por 3,3% das exportações paulistas, ocupando a 8ª posição no ranking do Estado de São Paulo. No Brasil, participou com 0,7% das exportações nacionais, figurando na 28ª colocação.
Máquinas lideram exportações
O principal produto exportado por Piracicaba continua sendo máquinas pesadas para terraplenagem e construção, como bulldozers, motoniveladoras, escavadeiras, carregadeiras e compactadores, que responderam por 43,5% de tudo o que o município vendeu ao exterior no semestre.
Na sequência aparecem:
Açúcar: 17,4% das exportações;
Automóveis de passageiros: 10,9%;
Grupos eletrogêneos e conversores elétricos: 5,6%;
Compostos heterocíclicos: 3,8%;
Barras de ferro ou aço: 3,2%;
Compostos aminados: 2,4%.
Estados Unidos concentram metade das vendas
Os Estados Unidos permaneceram como o principal parceiro comercial de Piracicaba, absorvendo 51% de todas as exportações realizadas entre janeiro e junho.
Na sequência aparecem:
Canadá – 5,9%;
Argentina – 5%;
Peru – 4,5%;
México – 3%;
Emirados Árabes Unidos – 2,9%;
Austrália – 2,7%;
Paraguai – 2,5%;
Bolívia – 2,1%.
Economista aponta maior dependência do mercado norte-americano
Para o economista Ricardo Buso, o desempenho de Piracicaba no primeiro semestre foi diferente do registrado no Estado de São Paulo e no Brasil. Enquanto as exportações brasileiras cresceram 11,5% e as paulistas 7,16%, Piracicaba registrou retração de 3,41%.
Apesar da queda no total exportado, as vendas para os Estados Unidos cresceram 13,94%, passando de US$ 577 milhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 657 milhões no mesmo período deste ano.
Com isso, a participação do mercado norte-americano nas exportações de Piracicaba aumentou de 43,24% para 51,01%, tornando o município ainda mais dependente daquele destino.
Segundo Buso, esse movimento é explicado, em grande parte, pelas operações entre empresas do mesmo grupo econômico instaladas no Brasil e nos Estados Unidos, mas aumenta a exposição da economia local às mudanças na política comercial norte-americana.
"Mesmo com toda a revolução no comércio internacional provocada por Donald Trump, parece que nada é capaz de alterar os vínculos locais com os norte-americanos, apesar dos seus riscos."
O economista destaca ainda que o cenário pode mudar nos próximos meses com a entrada em vigor da sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
"O grupo predominante de máquinas e equipamentos não deve se constituir em exceção."
Buso também observa que as exportações de máquinas pesadas ampliaram sua participação na pauta exportadora de Piracicaba, enquanto setores como açúcar, automóveis e barras de ferro e aço perderam espaço proporcionalmente.
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