O MP (Ministério Público de São Paulo) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a Operação Shylock para desarticular uma organização criminosa suspeita de conceder empréstimos particulares mediante a utilização de imóveis como garantia e, posteriormente, tomar o patrimônio das vítimas. As investigações apontaram aproximadamente 50 operações financeiras envolvendo pelo menos 62 vítimas. Desse total, 18 teriam perdido seus imóveis.
A operação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com participação do 1º e do 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (BAEP), da Polícia Militar, e do Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro, da Polícia Civil.
Foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de determinações judiciais para bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento de função pública. Entre as medidas cumpridas está a prisão de um escrevente de cartório de notas de Campinas.
As diligências ocorreram em diversos endereços residenciais e empresariais de Campinas, incluindo os bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo.
Armas, dinheiro e joias
Durante o cumprimento de um dos mandados, na Vila dos Plátanos, equipes do 10º BAEP apreenderam um volume expressivo de armas, munições, dinheiro e objetos de valor.
No imóvel foram encontrados dois rifles calibre .22, três pistolas, dois revólveres, quatro carregadores de rifle, quatro carregadores de pistolas e 522 munições de diferentes calibres.
Também foram apreendidos R$ 64.681, US$ 8.893 e 2.685 euros, além de três aparelhos celulares, um pen drive, diversos relógios de grife, joias, cédulas e moedas estrangeiras, caderno com anotações de dados bancários, talão de cheques e cartões.
As armas e munições foram encaminhadas à 1ª Delegacia Seccional de Campinas. Os demais materiais ficaram sob responsabilidade do Ministério Público.
Em outra diligência, na Vila São Bernardo, um homem de 35 anos foi preso preventivamente. Os policiais também apreenderam um celular iPhone 15, que ficou sob custódia do Gaeco. Na residência, segundo o registro da ocorrência, nada de ilícito foi localizado durante a busca.
Já no Parque Figueira, uma mulher de 53 anos foi presa. No imóvel, os policiais apreenderam um aparelho celular Samsung Galaxy S24. As equipes também realizaram buscas em um segundo endereço relacionado à investigada, mas não encontraram materiais de interesse para a investigação.
Organização tinha divisão de funções
Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram uma estrutura organizada e permanente, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis pela captação de vítimas, negociação dos empréstimos, formalização dos contratos, administração financeira, cobrança e ocultação dos valores obtidos.
Para dissimular a origem dos recursos, o grupo teria utilizado empresas de fachada, transferências sucessivas de patrimônio e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes de usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica, entre outras infrações.
A operação busca interromper as atividades do grupo, preservar provas, identificar os fluxos financeiros e os beneficiários dos recursos, além de evitar a continuidade dos crimes e possibilitar a recuperação de bens supostamente obtidos de forma ilícita.
Origem do nome
O nome Shylock faz referência ao personagem da peça O Mercador de Veneza, de William Shakespeare. Na obra, ele é um agiota que concede empréstimos mediante garantias rigorosas e cobra as dívidas de maneira implacável.
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