A sede do Quilombo Araucária no Jardim Umarizal, distrito do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, foi desmontada pela prefeitura em agosto sem oferta, até esta quarta-feira (4), de um novo local coberto para a realização das atividades formativas para crianças e jovens.
O espaço havia sido construído por membros da organização na Praça Quilombo Araucária, onde as aulas continuam ocorrendo, porém sem o ponto de apoio.
Em um dia de chuva, ainda conseguíamos nos encontrar, armazenar plantas e equipamentos, como as nossas enxadas. Era um lugar para manter as coisas, afirma Yuri Sugano, 33, arte-educador do coletivo Quilombo Araucária, que atua com preservação ambiental, cultura e educação.
A sede foi construída por voluntários e moradores vizinhos, com madeira, barro e outros materiais de bioconstrução. Nele, eram realizadas oficinas culturais e ambientais, rodas de capoeira, contação de histórias, reuniões e atividades de formação. Na praça também há uma área verde voltada à preservação ambiental, ao cultivo agroecológico e à convivência.
Os integrantes do Quilombo Araucária @Arquivo pessoa/Divulgação
Segundo a comunidade, a remoção foi realizada sem uma notificação prévia ou apresentação de ordem judicial.
Já a Subprefeitura do Campo Limpo afirmou que a comunidade foi informada, com mais de 40 dias de antecedência e que a sede era uma construção irregular.
A ocupação comunitária da Praça está registrada no Orçamento Cidadão da Prefeitura de 2026, prevendo atividades de saúde, cultura, esporte, educação ambiental, recreação infantil e feiras de economia solidária. A construção da sede, porém, não está descrita no projeto.
O nome da praça une as palavras Quilombo, que representa a resistência negra e popular, e Araucária, que homenageia as árvores símbolo da mobilização comunitária na região.
Um espaço para o povo
A sede da organização foi construída a partir da mobilização de moradores do Jardim Umarizal e bairros do entorno, após seis araucárias com mais de 60 anos serem queimadas em 2023. Os responsáveis nunca foram descobertos ou punidos. A partir do episódio, a praça passou a receber ações de cuidado ambiental, atividades culturais e projetos comunitários.
Ela [a sede] tinha árvores no meio e a ideia era mantê-las para mostrar que é possível viver sem destruir o meio ambiente, conta Igo Santos, 43, rapper do grupo Resistência du Gueto e integrante do Quilombo Araucária. Era um espaço para a comunidade, de resistência, luta, formação e também acolhimento.
O projeto utilizou técnicas de bioconstrução e contou com a participação de pelo menos 40 pessoas, incluindo estudantes e profissionais de arquitetura. Ele ainda não estava concluído quando foi removido pela prefeitura.