Apesar da decisão de prorrogar a votação em duas horas, mesários e moradores das periferias relatam o fechamento das urnas após o anúncio. Com isso, eleitores que foram às escolas não conseguiram votar da mesma forma.

A decisão foi tomada após um dia com problemas no segundo turno das eleições 2026. Em diversas regiões da Grande São Paulo houve falta de ônibus durante o dia, o que se repetiu em vários estados brasileiros.

Após reclamação das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela extensão do prazo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin, deu ordem ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para a prorrogação da votação até as 19h.

A Agência Mural obteve prints de conversas em grupos e postagens em redes sociais de bairros que revelam locais de votação que já não recebiam eleitores.

Mesários relataram que a decisão chegou após as 17h00, quando eles já estavam fechando a seção e gerado a zérésima, boletim que contabiliza a quantidade de votos da urna.

Em Ferraz de Vasconcelos, Beatriz Alves, 23, perguntou a um funcionário que presta apoio logístico no Núcleo Educacional Ferrazense, escola particular na Vila Romanopolis, se havia pessoas para votar.

Não, responde ele. Portão fechando, justifica. Já guardou as urnas?, pergunta ela. Já lacramos e tiramos o pen drive, completa. De acordo com prints das mensagens, a decisão do STF, ele comentou que em sua seção, a informação chegou às 17h12.

Em outras cidades do Alto Tietê, ocorreu parecido. Egberto Nunes recebeu mensagens em grupo de WhatsApp Vira Voto, de apoio ao candidato Lula (PT), de pessoas contando sobre o fechamento das urnas.

Uma das participantes diz três escolas que tenho conhecidos trabalhando [como mesários] foram desligadas. E pelo que estou sabendo pelo TSE todas as escolas de Poá também. Outra participante responde: Mogi das Cruzes, uma amiga mesária disse que saiu.

Apenas mais tarde, o STF informou que a medida valeria apenas para as urnas que não tivessem sido fechadas.

Além disso, outras pessoas relataram histórias de parentes que não conseguiram votar, pois chegaram ao local onde já tinham recolhido todas as urnas antes das 18h.

No Grajaú, zona sul de São Paulo, seguidores do Grajaú Tem, apontaram presença de policiais nas porta da escola Carlos Ayres e Eurípedes Simões, não liberaram a entrada de eleitores, com a justificativa de que as urnas já haviam sido fechadas.

Aqui fomos liberados pelos funcionários que trabalham no apoio do TSE. Fechamos as urnas às 17h. Só ficamos sabendo depois que já tínhamos impresso tudo. Daí faltam que tinha que aguardar, contou Isabella Milena Nascimento, 27, mesária na EMEF Professor Ayrton Oliveira Sampaio, no Jardim Santa Fé, ainda no Grajaú.

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Existe todo um procedimento para dias de votação com relação a abertura e fechamento das urnas. Uma delas é que as urnas devem ser lacradas após a retirada do boletim de apuração, desligadas e lacradas para ser entreguesao Tribunal Regional Eleitoral. Depois dessa ação, elas não podem ser religada para continuação de votos.

 

Fonte: TSE

Agência Mural

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