Criança vota? Sim, segundo Samuel Neves Vasques, 7, de Itaquera, na zona leste da capital paulista. A gente vê vídeo, quando acaba a aula. Aí ele [professor] pergunta o que queremos ver, tipo [filme] Moana ou Minecraft. A gente levanta a mão quando ela fala as opções, conta. E o que é isso se não uma votação democrática?
No último 4 de outubro, eleitores brasileiros foram às urnas escolher senadores, deputados estaduais e deputados federais, senadores, governador e presidente. Figuras responsáveis por decisões que impactam a população das periferias de São Paulo, incluindo as crianças – que não votam na urna, mas não deixam de participar e ter opiniões sobre o cenário político.
Samuel acredita que seguir as escolhas da maioria é uma forma justa de tomar decisões
Eu já aprendi e gosto de ler. Quando [meu] pai fica dirigindo, eu fico lendo as placas da rua e das lojas. Tinha também umas bandeironas na rua, de homem e de mulher, lá no Piraporinha, comenta Leonardo da Silva Brito, 6, do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, sobre os wind banners de candidatos distribuídos no bairro vizinho.
Maria Fernanda Neves Bonke, 10, do Parque São Lucas, na zona leste, está bastante inteirada sobre as eleições 2026. A mãe contou para ela que este ano a população precisou votar em seis representantes nas urnas e que ainda tem segundo turno para decidir quem será o próximo presidente: Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL)?
Eu sei que que tem muita gente em dúvida por causa de propostas. Um presidente comanda o país, mas ele não é quem faz todas as as leis. Ele é mais quem aprova,
Maria Fernanda, 10.
Ela acha que o voto é legal e ao mesmo tempo complicado. É uma decisão um pouco difícil, você tem que pensar muito para achar a pessoa certa para votar, porque nem todo mundo tem as propostas perfeitas. São algumas que você gosta e algumas que você não gosta, você tem que ver quais são as melhores, dá a dica.
Política é assunto de criança Saúde e educação
Um a demanda em comum entre Samuel e Maria Fernanda para o preseidente vencedor das eleições 2026 é reduzir o tempo de espera por consultas e exames no SUS (Sistema Único de Saúde). A gente já foi ao hospital na Mooca, estava muito cheio, conta o menino.
Eu acho que podiam tentar abrir mais vagas ou que criar um outro jeito de acelerar essa fila, porque é uma coisa complicada para quem tá em situações mais graves de saúde, completa Maria.
Para Maria Fernanda, a prioridade do próximo governo deve ser melhorar a qualidade da saúde e da educação pública. @Arquivo pessoal
Ela reclama que o ensino na escola pública em que estudou até o ano passado era precário. Os professores eram bons, mas os livros e apostilas tinham conteúdos fracos, com coisas que não se conectavam, exemplifica.
Uma das prioridades para ela é melhorar a infraestrutura das escolas, oferecer materiais de melhor qualidade e dar mais suporte para os professores. Na escola que estudava tinha crianças na mesma sala com níveis diferentes de deficiência, mas não tinha professor assistente, lamenta.
Lazer e economia
Com a ajuda da mãe, Samuel elenca a falta de estrutura nos parques e praças como um problema importante para o poder público. A situação impede ele e outras crianças aproveitarem o tempo livre brincando.
No caso de Maria Fernanda faltam parques e praças com brinquedos. Se houvesse mais equipamentos de lazer, ela passaria menos tempo isolada no apartamento. Também faltam vagas em atividades esportivas no CEU Vila Alpina, próximo a sua casa. Ela já tentou fazer natação, mas nunca conseguiu, e a família, atualmente, não tem recursos para pagar atividade particular.