por Wendal Carmo, do site Mangue Jornalismo
Cerca de 186% mais eletricidade do que o atual consumo de todo o estado de Sergipe: esse é o custo energético do primeiro data center de hiperescala previsto para instalação no menor estado do Brasil. Projetado para uma área às margens da BR-101, no município de Nossa Senhora do Socorro, o empreendimento consumirá 2 gigawatts quando estiver em total funcionamento; o atual consumo de Sergipe é de 700 megawatts.
Com o avanço das Inteligências Artificiais (IAs), cresceu a necessidade de grandes empresas de tecnologia como Meta (dona do Instagram, Facebook e WhatsApp), Alphabet (dona do Google), ByteDance (dona do TikTok), Amazon e Microsoft por data centers de hiperescala. Essas são estruturas pensadas para o processamento e armazenamento de enormes volumes de dados, como os necessários para treinar IAs e possibilitar operações com criptomoedas.
Com o grande interesse no Brasil devido à sua larga oferta de energia de fontes renováveis, água e falta de regulamentação, empresas de data centers nacionais e estrangeiras têm negociado diretamente com estados e municípios os termos dos acordos de instalação, lógica aplicada também em Sergipe.
Há cerca de dois anos, o governo de Fábio Mitidieri (PSD) negocia a instalação de um data center da empresa estadunidense Optimus Technology Group, que inaugurará a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Sergipe. Empreendimentos instalados em ZPEs recebem generosas desonerações fiscais e devem exportar pelo menos 80% de sua produção. O data center da Optimus ocupará 440 mil m² do total de 880 mil m² da ZPE de Sergipe e terá um centro de formação em IA, segundo comunicados oficiais do governo estadual.
O que parece uma boa notícia para a economia do estado esconde, na verdade, a altíssima demanda de energia para manter as operações ininterruptamente, além da água para resfriamento das máquinas, inclusive com a possibilidade de utilizar captação do Rio São Francisco.
O curta-metragem documental Vampiros de recursos naturais, dirigido por Sarah Lima e as repórteres da Mangue Jornalismo Ana Paula Rocha e Rossella Cecília apresenta essas e outras informações resultantes de meses de investigação. A proposta foi selecionada na 18ª edição do Prêmio Fernando Pacheco Jordão para Jovens Jornalistas, organizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Foram repassados R$ 6 mil para a realização do curta, que teve orientação da professora Ana Carolina Cavalcanti (DCOS/UFS) e mentoria da jornalista Angelina Nunes.