Meu objetivo é o resgate da história de Osasco. Isso é uma luta que vou levar até o último dia da minha vida, afirmou o comerciante e fotógrafo Hagop Koulkdjian Neto, em entrevista dada à Agência Mural em 2014.
O fotógrafo e comerciante morreu na última sexta-feira (7) aos 68 anos e manteve a promessa sendo um dos principais nomes a preservar o passado do município da Grande São Paulo.
Também conhecido como Hagop Garagem, ele é criador de um acervo sobre a história da cidade que reúne mais de 12 mil registros. O foco pela história surgiu por acaso.
O historiador autodidata contou que iniciou a página por outros motivos além da história. Em 2003, ele criou um site para publicar informações sobre um carro antigo que restaurava e, assim, passou a se interessar pela época em que o pai e o avô viveram.
Página criada por Hagop Garagem @Reprodução
Tentou fazer a árvore genealógica da família, contatou parentes e amigos em busca de informações e, depois, montou um arquivo com fotos dos familiares na cidade.
No csao de Hagop, os pais e avós dele escaparam do genocídio promovido pela Turquia na Armênia, onde 1,5 milhão de pessoas morreram durante a Primeira Guerra Mundial. Muitos dos imigrantes armenios que fugiram para o Brasil vieram para Osasco, caso dos Koulkdjian.
Ao conseguir essas imagens, moradores começaram a procurá-lo em busca de mais informações sobre o passado do município.
Desse contato, começou a pedir e compartilhar arquivos e a guardar as fotos que recebia. Foi assim que decidiu fazer no site, até então espaço de divulgação de seus hobbies, uma parte especial sobre Osasco, com vídeos, fotos e documentos sobre a origem da região.
Estou preocupado e, ao mesmo tempo, contente por toda a repercussão do site, contou Neto à época, em reportagem publicada no blog Mural hospedado no jornal Folha de S. Paulo.
A preocupação vinha do fato de a cidade não possuir uma história oficial. Emancipada em 1962 de São Paulo, o território começou a ser formar ainda nos anos 1600, e Hagop era sempre procurado por quem pesquisava por esse passado.
Fico receoso porque tenho sido procurado por alunos de universidades, e me sinto incapaz de poder ajudá-los. Eu não sou um catedrático da área. Sou um simples juntador de fotos.
Para além de um juntador de fotos, Hagop cobrava a preservação da história e fazia críticas a falta de cuidado do poder público com monumentos do passado, entre eles o Museu de Osasco, o famoso Chalé Brícola, fechado para reformas desde 2017.
Para ele, o conhecimento dessa história era o primeiro passo para que a população tenha identificação com o município. [É preciso] conhecer para amar e respeitar. Se a gente não conhece o espaço em que vive, a gente não gosta.
A causa da morte não foi divulgada.
Agência MuralO post Hagop Garagem: o morador de Osasco que se tornou um guardião da história da cidade apareceu primeiro em Agência Mural.