Em meio a tensões diplomáticas acentuadas nos últimos meses pelas ações dos Estados Unidos (EUA) na América Latina, o Senado norte-americano votou e aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação de Donald Trump à embaixada estadunidense no Brasil. Os senadores aprovaram o nome do representante da Flórida Daniel Perez. O parlamentar, no entanto, ainda precisa da autorização do governo brasileiro para ocupar o cargo, como preconiza a Convenção de Viena, de 1961.
A votação teve início por volta das 14h20 (horário de Brasília) e ocorreu em bloco – processo mais rápido que inclui todas as indicações num só pacote. Além de Perez, outras 73 indicações de Donald Trump foram aprovadas em votação apertada, de 51 contra 47 rejeições o Senado norte-americano tem 53 cadeiras republicanas.
Antes da votação, os senadores debateram sobre políticas educacionais e sanções ao governo de Vladimir Putin, na Rússia, numa sessão apressada, uma vez que a Casa entrará num recesso de cinco semanas e foi preciso negociar exatamente o que entraria na pauta e seria resolvido antes do retorno dos parlamentares, em setembro.
Perez tem 39 anos, é anticomunista e fiel à agenda do movimento nacionalista Make America Great Again (MAGA). Nos últimos dias, Trump reforçou a pressão ao Brasil pela aprovação do deputado, indicado em 1º de junho sem consulta prévia ao Itamaraty protocolo também estabelecido pelas regras da diplomacia. Entre reações aos quase 70 dias à espera pelo aval brasileiro, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
A Agência Pública mostrou que nomes poderosos influenciam a indicação de Perez para o cargo no Brasil: a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Susie teria recompensado o parlamentar da Flórida pela oposição ferrenha a um inimigo político em comum: o governador Ron DeSantis. Já Rubio é amigo próximo de Perez e o teria como integrante de um projeto para combater o que ele classifica, sem provas, como terrorismo de extrema esquerda em outros países.
A insistência de Trump para que Perez assuma o cargo, vago desde janeiro de 2025 após a saída de Elizabeth Bagley, que esteve na função durante o governo Biden, ocorre num período estratégico: as eleições de 2026. A Pública apontou como os EUA já vêm moldando o discurso para questionar o resultado das urnas eletrônicas em caso de derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida à Presidência da República.
O bolsonarismo é a ala representativa da ultradireita no Brasil e aliada aos principais interesses ideológicos e econômicos da política trumpista, como a exploração de terras raras, a não regulamentação de Big Techs e a expansão da venda do biocombustível produzido em solo norte-americano.
Relação estremecida com o Brasil
Diante das ações de Trump, o presidente Lula subiu o tom e chamou de irresponsável e impensada a revogação do visto da embaixadora brasileira.
O impasse sobre a embaixada americana no Brasil ocorre num contexto de escalada da tensão entre os dois países desde o início do mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025.
Entre as questões de maior conflito, está a recente aplicação das tarifas de 25% dos EUA à indústria brasileira. As taxas passaram a valer em 22 de julho e foram anunciadas seis dias antes pelo secretário de Estado, Marco Rubio, no X (antigo Twitter).
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as medidas como sem justificativa e lastro de realidade e ainda acusou Donald Trump de tentar interferir no judiciário do Brasil após a carta enviada pelo presidente americano a Lula, em julho de 2025, para ameaçar novas tarifas.
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