A Prefeitura de Embu das Artes, com o apoio da GCM (Guarda Civil Municipal), retirou do centro histórico cartazes da 6ª edição do Festival MBoy, que denunciavam a falta de políticas para preservação do patrimônio histórico e pediam a criação de um comitê técnico de cultura para o município. Artistas locais classificaram a ação como opressora e arbitrária.
As quatro faixas colocadas no coreto denunciavam o baixo repasse do orçamento municipal destinado à Cultura e cobravam a elaboração de um projeto de lei para criar um conselho de patrimônio histórico na cidade.
Essa repressão representa a relação que a prefeitura tem com os artistas há muitos mandatos, de opressão e desrespeito, afirma a artista plástica Lua Rodrigues, 30. Moradora do bairro Caputera, em Cotia, ela divide seu tempo entre as duas cidades e defende a criação de um conselho que assegure a participação da sociedade civil na defesa do patrimônio histórico, artístico e natural de Embu das Artes.
O evento foi organizado pelo Movimento MBoy, no último dia 18, para celebrar o aniversário do aldeamento que deu origem ao município, fundado em 1554. Diante da retirada das placas, o movimento transformou em protesto o tradicional Cortejo da Cobra” que percorre ruas de Embu para homenagear a cidade.
“A prefeitura simplesmente proibiu que os cartazes de protesto aparecessem, sob pena de acabarem com o evento”, denuncia a advogada Maria Augusta de Andrade, 42, que discursou durante o Festival MBoy. Não vamos nos calar. Seremos resistência.
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Prefeitura pediu a retirada de cartazes que reivindicam exigências da classe artística @Felipe Barbosa/Agência Mural
Expositor da Feira de Arte e Artesanato de Embu das Artes há mais de 50 anos, o artista visual Carlos Souza, 72, critica a atitude adotada pela prefeitura. É uma cidade definida pela cultura e pela arte, com uma cena artística muito rica. Não havia nada de errado acontecendo. Simplesmente nos proibiram de usar o coreto. Não entendo. O coreto é um espaço público e nós somos os artistas da cidade.
A prefeitura não respondeu aos questionamentos da reportagem da Agência Mural sobre a remoção dos cartazes e as reivindicações do movimento.
O Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 estabelece o direito à livre expressão do pensamento e das atividades intelectual, artística, científica e de comunicação, sem censura. Também garante o direito à reunião pacífica em locais abertos ao público, sem necessidade de autorização.
O que o Movimento MBoy reivindica?
Uma das principais exigências do Movimento MBoy é o aumento da destinação orçamentária anual da Secretaria de Cultura de Embu das Artes para 2%. Em 2026, o montante destinado ao setor foi de 0,56% (R$10,14 milhões), pouco mais que o repassado em 2024 (0,33%).
Em junho deste ano, o movimento iniciou uma petição online para reunir o número de assinaturas necessárias para encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei que visa a criação do CDPH (Conselho Municipal de Defesa e Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Embu das Artes).
Feira de Arte e Artesanato do município divide espaço com comércios e restaurantes @Felipe Barbosa/Agência Mural
Ideia é criar um órgão técnico, composto por representantes da sociedade civil e membros do poder público, para assegurar a preservação do patrimônio histórico do município, através de tombamentos, incluindo as edificações do centro.
É muito importante que as pessoas participem dessa petição, assinando, compartilhando e estando conosco, pede o historiador e músico Marcel Moreno, 44. Porta-voz do Movimento MBoy, ele destaca que o projeto foi criado devido ao rápido desmonte do centro histórico de Embu das Artes. Um exemplo é a Feira de Artes e Artesanato, que teve o espaço reduzido com a finalidade de expandir a área dos bares e restaurantes.
Moradora do bairro Jardim Santa Luzia, a estudante de história Deborah Garcia, 20, defende a criação de políticas públicas para a cidade e destaca a importância da ação coletiva na preservação de espaços. Quando um bem é preservado, ele é valorizado. Assim, os costumes tradicionais podem seguir para o futuro. A tradição permanece.