Representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil e governos locais de regiões da América Latina estão no Recife para discutir alternativas para as regiões semiáridas do continente no seminário América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança.
O encontro acontecerá na sede da organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil, no centro do Recife, nesta quarta-feira, 8 de abril. De acordo com os organizadores, Centro Sabiá e Plataforma Semiáridos da América Latina, o objetivo do seminário é ampliar perspectivas sobre os desafios e as respostas construídas nos territórios secos diante da crise climática, com atenção especial aos sistemas alimentares, à autonomia territorial e às formas de governança política emergentes.
Entre as organizações confirmadas estão a Fundapaz (Argentina), Fundación Nacional para el Desarollo (El Salvador), Isla Urbana (México) e as brasileiras Cetra, Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde, Patac Agroecologia e Conselho Indígena Tremembé.
As discussões devem focar tanto no compartilhamento de experiências para reduzir os impactos da crise climática nos sistemas alimentares e vêm sendo afetados pela crise climática quanto em estratégias de fortalecimento das capacidades políticas e de governança dos territórios secos.
Para Carlos Magno Morais, coordenador do Centro Sabiá e integrante da mesa de governança da Plataforma Semiáridos América Latina, o encontro tem um papel estratégico não apenas pelo que mobiliza no presente, mas também pelo que projeta para o futuro. Ele nos prepara para a Caatinga Climate Week, que acontecerá em julho, em Caruaru, e que vem se consolidando como um espaço fundamental para posicionar a Caatinga no centro do debate climático global. Mas, antes disso, Recife cumpre aqui uma função essencial: a de escuta das vozes dos semiáridos da América Latina, que historicamente foram tratadas como zonas de sacrifício, mas que hoje se afirmam como territórios de soluções, pontua Morais.
A Plataforma Semiáridos é uma articulação com mais de 15 organizações sociais espalhadas por dez países que possuem regiões semiáridas que conectam países e povos da América Latina. Foi criada com objetivo de revelar e sistematizar as experiências vinculadas à utilização e à gestão dos territórios nas regiões, fortalecer a sociedade civil, gerar propostas e incidir nas políticas públicas. Busca atender os desafios das organizações indígenas e camponesas, em relação ao acesso, uso e gestão da terra, ao território e aos recursos naturais.
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