Grupos do Oriente Médio
O grupo islâmico xiita Hezbollah, o Hamas [Movimento de Resistência Islâmica], a Jihad Islâmica e o movimento Huthis, do Iêmen, condenaram a morte de Khamenei e juraram vingança, segundo informações da agência de notícias RTP.
O Hamas classificou como crime hediondo o ataque que matou o aiatolá do Irã, que apoiava o movimento islamita palestino.
O Hezbollah prometeu enfrentar a agressão israelense e norte-americana a Khamenei, segundo comunicado do líder do movimento libanês pró-iraniano, Naim Qassem.
Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão, assegurou o chefe do Hezbollah no comunicado, acrescentando que quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos [] o campo da resistência.
O grupo armado Jihad Islâmica, aliado do Hamas durante os dois anos de guerra contra Israel na Faixa de Gaza, classificou a morte de Ali Khamenei como um crime de guerra cometido pelos Estados Unidos e por Israel, em um ataque traiçoeiro e mal-intencionado.
Os Huthis chamaram a figura política e religiosa do Irã assassinada de mártir e disseram que o legado de Ali Khamenei inspirará uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel. Para eles, o ataque foi um crime atroz e uma violação flagrante de todas as leis e normas internacionais.
Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo [dos huthis] recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irã. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas, declarou.
Irã
O Irã anunciou, neste domingo, o Conselho de Liderança Temporária, que assume de forma imediata as atribuições do líder supremo, como o comando das Forças Armadas, além de decisões de segurança e de política externa.
O anúncio tem o objetivo de garantir a continuidade e estabilidade do regime durante a crise. O conselho é composto por três autoridades: o atual presidente do Irã, Masoud Pezeshkian; o chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei; e o jurista do Conselho dos Guardiães, aiatolá Alireza Arafi.
As funções são provisórias até que a Assembleia de Especialistas, com 88 clérigos, eleja o sucessor permanente.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (1º) que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma "declaração de guerra contra os muçulmanos" e falou em "vingança legítima" contra os Estados Unidos e Israel.
Brasil
O governo do Brasil ainda não se manifestou sobre a morte do aiatolá Ali Khamenei até o fechamento desta reportagem. No sábado (28), em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) declarou que o governo do Brasil tem profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.
O Brasil ainda se solidarizou com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia alvos de ataques retaliatórios do Irã, neste sábado (28).
Vaticano
O Papa Leão XIV apelou, neste domingo, pelo fim da "espiral de violência" no Oriente Médio, após os ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com ataques aéreos.
"Acompanho com profunda preocupação tudo o que está a acontecer no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte", disse o papa norte-americano.
Organismos Internacionais
O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou o uso da força, afirmando que a escalada militar representa uma "grave ameaça à paz e à segurança internacionais". Ele convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança e apela pelo fim imediato das hostilidades.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a situação como "profundamente preocupante". Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu "máxima contenção" e reforçou o compromisso com a estabilidade regional.
Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor-geral, Tedros Adhanom, expressou preocupação com os graves riscos à saúde das pessoas, decorrentes do conflito que se alastra pelo Oriente Médio. A paz, como sempre, é o melhor remédio.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora de perto as instalações durante os desdobramentos no Oriente Médio e cobra moderação para evitar quaisquer riscos à segurança nuclear das pessoas na região.
A AIEA mantém contato permanente com os países da região e, até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico. A Agência continuará monitorando a situação, relatou.
*Com informações da RTP.
Tags:
Ali Khamenei | China | Conflito no Oriente Médio | Estados Unidos | Irã | Israel | Oriente Médi | Rússia