A Comissão das Mulheres do Sebrae-SP realizou, nos dias 19 e 20 de fevereiro, uma visita técnica a São Carlos, município reconhecido por ser a Capital da Tecnologia e pela força do seu ecossistema de inovação. Composta por mulheres representantes das instituições que integram o Conselho Deliberativo da entidade, a comissão percorreu ambientes que conectam pesquisa, tecnologia e mercado e discutiu como o Sebrae-SP pode ampliar ações para fortalecer o empreendedorismo feminino, especialmente em negócios de base tecnológica.
Para a gerente regional do Sebrae-SP Ariane Canellas, receber a Comissão de Mulheres do Sebrae em São Carlos reforça o compromisso institucional com a valorização da liderança feminina e com a construção de estratégias que promovam equidade, inovação e desenvolvimento. A apresentação do ecossistema local de inovação é estratégica por permitir que as lideranças conheçam a realidade do território, dialoguem com os atores locais e reflitam sobre ações que impactem os programas do Sebrae-SP, com o objetivo de fortalecer o protagonismo feminino, criar ambientes mais inclusivos, estimular a liderança e ampliar oportunidades para as mulheres, tanto dentro da instituição quanto na sociedade, afirma.
Ambientes estratégicos do ecossistema de inovação de São Carlos
A visita teve início no Escritório Regional do Sebrae-SP em São Carlos, com apresentação do cenário local e das oportunidades de atuação no município. Em seguida, o grupo conheceu o ONOVOLAB São Carlos, hub de inovação que reúne startups, empresas e universidades em um ambiente colaborativo voltado à tecnologia, ao empreendedorismo e à transformação digital.
Para Gisela Lopes, coordenadora da Comissão das Mulheres do Sebrae-SP, a programação trouxe conteúdo e abriu novas possibilidades de atuação. Foram dois dias de aprendizado e de conteúdo. A gente viu que tem muita coisa pra aprender e muita informação que, às vezes, não chega aonde tem que chegar, destaca. Ela também reforçou o papel do Sebrae-SP como ponte entre quem quer empreender e o universo da inovação. O Sebrae-SP está sempre em todos os lugares. Ele direciona, mostra o caminho e faz a ponte com as tecnologias e inovações do mercado, completa.
No segundo dia, a comissão visitou a Fundação ParqTec, referência nacional na promoção do empreendedorismo tecnológico e na conexão entre universidades e empresas. O roteiro incluiu ainda o Science Park, ambiente voltado a empresas de base tecnológica em estágio avançado, laboratórios de P&D e centros de treinamento. No Parque Tecnológico, o grupo ouviu o conselheiro do Sebrae-SP, professor doutor Sylvio Goulart Rosa Junior e conheceu a atuação da incubadora 14 Bis, apresentada pela gerente Jovanka Goulart, reforçando como a articulação entre pesquisa, estrutura de incubação e suporte institucional acelera a transformação do conhecimento em negócio. A representante do ParqTec na Comissão das Mulheres do Sebrae-SP, Mirlene Simões, destacou o objetivo de transformar a vivência em estratégia de atuação, A comissão tem a perspectiva de acompanhar dados e diversificar as ações.
Ciência aplicada e empreendedorismo como estratégia de desenvolvimento
Na Universidade de São Paulo, em São Carlos, a visita incluiu o InovaUSP, centro que aproxima a produção acadêmica da Universidade de São Paulo do mercado e da sociedade. As integrantes também conheceram o ICMC, o Museu de Computação e os trabalhos desenvolvidos pelo instituto nas áreas de curadoria de dados e inteligência artificial, além de iniciativas voltadas à criação de startups, parcerias em PD&I e transferência de tecnologia. Para Juliana Farah, representante da Comissão das Mulheres do Sebrae-SP, a visita reforçou o diferencial da atuação conjunta entre universidade e Sebrae-SP. O que muda a vida de muitas empresárias é a parceria com o Sebrae-SP e as capacitações. A parte técnica elas trazem da universidade, mas transformar isso em retorno financeiro passa pela gestão, e o Sebrae-SP ajuda muito nisso, destaca.
Já na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a comissão passou pela Agência de Inovação da UFSCar (AIn), que atua como porta de entrada para conectar pesquisas acadêmicas ao mercado, e se aproximou de iniciativas de inovação com impacto social. Um dos destaques foi o CDPRO Makerspace, centro de desenvolvimento e prototipagem maker em engenharia e saúde, reconhecido pela criação e produção de soluções durante a pandemia e por projetos voltados à tecnologia assistiva. A agenda contou ainda o projeto Ybyrá, que promove o empreendedorismo solidário indígena, valorizando a cultura e a comercialização de artesanatos e saberes tradicionais produzidos por estudantes indígenas, ampliando o olhar sobre inovação como ferramenta de inclusão e geração de renda.
Para Marília de Castro, representante da Associação Comercial de São Paulo na Comissão das Mulheres do Sebrae-SP, a visita trouxe surpresa e inspiração. É uma grande surpresa estarmos aqui em São Carlos tendo tantas experiências. Aqui não é só ideia, aqui é gente que faz, afirma. Ela também destaca o impacto das iniciativas conhecidas, Ver experiências inovadoras com finalidade de inclusão social é fundamental, assim como fazer a ponte com as empresas. Isso gera emprego e fomenta a pesquisa, completa. Para Margarete Ortiz, também representante da ACSP/CMEC na Comissão, o roteiro revelou iniciativas que precisam ganhar visibilidade. Estou surpreendida com tanta coisa linda e com pessoas capazes de fazer a diferença na vida das pessoas. Isso é muito impactante e a gente tem que passar isso para frente, afirma.
Quando a ciência vira negócio com apoio do Sebrae-SP
A programação proporcionou o encontro com empreendedoras e negócios liderados por mulheres, como a Ikove Agro, empresa voltada a soluções biológicas para a agricultura. As fundadoras relataram o desafio de transformar pesquisas de pós-graduação em produtos e mercado e destacaram o papel do Sebrae-SP na estruturação do negócio. Para a engenheira agrônoma Clarissa Okino Delgado, fundadora da Ikove, o apoio foi determinante para virar a chave do laboratório para a empresa. Fazer essa transição da academia para o empreendedorismo foi muito difícil no começo. O Sebrae-SP nos ajudou a entender que outras habilidades, além da pesquisa, precisavam ser desenvolvidas, afirma. Ela ainda reforça a orientação prática do Sebrae-SP para quem está começando. Se você quer empreender, o primeiro passo é começar e aprender mais. O Sebrae dá esse lado educativo, o caminho das pedras, destaca.
Já a pesquisadora em bioprocessos e biotecnologia Fabíola Oliveira, sócia da Ikove Agro, enfatiza a atuação do Sebrae-SP na organização e nos primeiros passos.O Sebrae-SP auxiliou na estruturação da empresa, ajudando a entender os passos, como tomar decisões e como vender o negócio. Ele dá suporte para o começo, inclusive no que a gente não sabe por onde iniciar, afirma. Ela também ressalta a importância do acesso a oportunidades. Participar de eventos e estar na rede de contato do Sebrae-SP fez muita diferença. A gente aprende, erra, ajusta e amplia as possibilidades conversando com outros empreendedores, completa.
A agenda foi articulada com apoio de Mirlene Fátima Simões, representante da Comissão das Mulheres do Sebrae-SP e Conselheira do ParqTec, a proposta da ida a São Carlos foi ter contato com mulheres que lideram empresas de várias áreas para que a gente pense em ações que o Sebrae-SP leve adiante e amplie a presença feminina nos espaços de trabalho, principalmente nas empresas, conclui. A visita técnica integra a estratégia do Sebrae-SP de fortalecer o protagonismo feminino e ampliar a presença das mulheres em ambientes de inovação e empreendedorismo em todo o estado de São Paulo.
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