A empresa Viva Parques, que assumiu a gestão privada dos parques públicos do Recife, enfrentou mais um revés nesta quinta-feira, 13 de novembro. O Ministério Público de Pernambuco publicou no Diário Oficial uma recomendação de quatro páginas direcionada à Prefeitura do Recife e à concessionária Viva Parques. As promotoras Fernanda Henriques da Nóbrega e Belize Câmara Correia, do Centro de Apoio de Defesa do Meio Ambiente do MPPE, foram explícitas: as obras de demolição da pista de bicicross não devem acontecer.
A argumentação das promotoras baseia-se em um documento óbvio, o contrato de concessão entre a prefeitura e a empresa concessionária, que, segundo o parecer, prevê apenas a manutenção da pista, sem fazer quaisquer referências à substituição ou demolição daquela estrutura esportiva. E, se não há nada estabelecido no contrato, o MPPE adverte que, caso a prefeitura tenha autorizado a obra, estaria “descumprindo frontalmente os termos contratuais que regem este processo de concessão”.
O parecer definiu “que o espaço gastronômico que está sendo anunciado para ocupar parte da área da pista de bicicross constitui um espaço destinado à exploração comercial e consumo pago, o que representa uma alteração fundamental na vocação do espaço público da pista de bicicross”.
As autorizações da prefeitura, aliás, seriam insuficientes para a realização de obras na Jaqueira. Como o parque faz parte da Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural Ponte D’Uchôa, qualquer intervenção no espaço teria de ter licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A falta dessa permissão, aliás, levou o Iphan a embargar a obra da pista de pumptrack, para uso misto de bicicletas, skate e patinetes.