Dois dos três policiais militares presentes no plantão do Batalhão de Polícia Rodoviária no momento do estrupo de uma mulher de 48 anos confirmaram que viram a vítima saindo de dentro do posto policial, com um copo de água na mão, seguida do subtenente suspeito do crime. Os agentes – um sargento e um soldado – foram ouvidos na tarde de terça-feira, 14 de outubro, no quartel do comando-geral no Recife. 

As oitivas, de acordo com a advogada da vítima, Maju Leonel, deixam evidente que o crime realmente aconteceu. A vítima afirmou não reconhecer nenhum dos dois depoentes como o criminoso. Ambos se recusaram a passar por exame de coleta de material genético.

O terceiro PM, um subtenente, não compareceu ao reconhecimento mediante atestado médico de três dias devido a um acidente. A oitiva dele está marcada para a próxima sexta (17), em local ainda a ser confirmado. Em reunião, nesta quarta (15) à tarde, com a defesa da vítima, Ministério Público de Pernambuco, a OAB-PE, Secretaria Estadual da Mulher e SDS, ficou decidido que qualquer procedimento será feito fora do quartel para evitar que a vítima seja revitimizada.  

Os outros dois policiais trabalharam no plantão daquela noite, mas, no momento do estupro, não estavam presentes no posto, pois acompanhavam uma diligência no Recife. A Marco Zero teve acesso ao inquérito. A Secretaria de Defesa Social do Estado informou, nesta terça (14), que o suspeito foi afastado. A portaria do afastamento, porém, ainda não foi publicada.

O caso aconteceu na última sexta (10), no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul do estado. A mulher seguia com uma amiga e duas filhas para a praia de Gaibu quando foi parada numa blitz composta pelos três agentes. Após ser informada que, por causa de débito de licenciamento, o carro teria que ser apreendido, o suspeito a levou para dentro de um quarto do Batalhão de Polícia Rodoviária e obrigou-a a fazer sexo oral nele, que ejaculou na sua boca.

Em seguida, ele obrigou que bebesse água para limpar os resíduos. Beba água para tirar a gala da boca, teria dito. Enquanto isso, os outros dois policiais militares, do lado de fora, nada fizeram.

Nesta quarta (15), o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, que pediu desculpas à mulher na terça (14), afirmou ao Portal G1 que não sabia do reconhecimento através das fotografias, mas que o procedimento presencial seguiu o rito previsto em lei e está sendo conduzido pela corregedoria da SDS-PE. Segundo ele, o reconhecimento por fotografia não é aceito pelos tribunais e pode ser considerado nulo.

Um dos questionamentos da advogada Maju Leonel, que defende a vítima, é que houve morosidade da polícia, uma vez que a mulher denunciou o crime no sábado à noite na Delegacia da Mulher do Cabo e reconheceu o acusado, por fotos mostradas pela corregedoria da.

Há duas investigações em curso, uma na Polícia Militar e outra na Polícia Civil. A PM informou que pelo fato de o crime imputado ser de natureza militar, o caso está sendo investigado pela delegacia de Polícia Judiciária Militar. Caso as denúncias sejam comprovadas, os envolvidos podem pegar penas que variam de punições disciplinares à perda do cargo público.

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