Dois homens foram pronunciados pela Justiça e serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri pela morte de Gabriel da Silva Gonçalves, assassinado a tiros em agosto de 2025, em Rio Claro. Segundo a decisão, as investigações apontaram que Ryan Igor Cândido teria vínculo com o Comando Vermelho e que o homicídio estaria relacionado ao conflito entre grupos criminosos rivais na cidade.

Além de Ryan, também foi pronunciado Eduardo Henrique Martins de Oliveira, conhecido como Dudu. Os dois responderão perante o Tribunal do Júri por homicídio qualificado, além dos crimes relacionados à adulteração de identificação de veículo e tentativa de destruição de provas.

De acordo com a investigação descrita na decisão, Ryan teria saído do Rio de Janeiro para Rio Claro cerca de 30 horas antes do crime. Segundo a denúncia, ele estaria sob proteção do Comando Vermelho e teria vindo à cidade para executar um desafeto ligado a uma organização rival.

O delegado ouvido durante o processo afirmou que Ryan teria vindo a Rio Claro para executar outra pessoa, identificada pelo apelido de “Iaiá”, mas acabou matando Gabriel. A informação consta do depoimento prestado em juízo e foi considerada no conjunto de elementos analisados para a pronúncia.

A decisão registra ainda que, segundo as investigações, Gabriel pertenceria ao PCC (Primeiro Comando da Capital) grupo rival do Comando Vermelho, ao qual os dois acusados fariam parte. O juiz apontou que Ryan teria vínculo “estrutural e funcional” com o Comando Vermelho e atuaria em favor do grupo liderado por “Léo Bode”.

Execução

O homicídio ocorreu em 29 de agosto de 2025, na Rua 12, no Jardim Novo. Gabriel estava com a esposa e a filha em um trailer de lanches quando uma pessoa desembarcou de um Ford EcoSport branco e efetuou disparos contra ele.

Segundo a denúncia, o atirador teria perseguido Gabriel até uma residência, onde a vítima foi atingida. No local foram encontrados nove estojos deflagrados de munição calibre 9 milímetros, além de projétil e fragmento de projétil.

Após o crime, os envolvidos teriam fugido na EcoSport e abandonado o veículo no Jardim Guanabara, onde houve uma tentativa de incêndio para eliminar vestígios. O carro não foi totalmente destruído e acabou periciado.

Um dos elementos utilizados pela Justiça para apontar indícios de participação de Eduardo foi a identificação de suas impressões digitais na parte externa da EcoSport. O exame papiloscópico concluiu que as digitais encontradas no veículo pertenciam a ele.

A investigação também apontou uma possível ligação entre Eduardo e Ryan por meio de uma arma apreendida posteriormente com Eduardo. Segundo a decisão, características físicas do armamento eram compatíveis com uma arma que aparecia em registros encontrados na nuvem digital de Ryan, embora o juiz tenha registrado que essa arma não foi apontada como a utilizada no homicídio.

Em relação a Ryan, a decisão considerou depoimentos segundo os quais pessoas que estavam no local teriam indicado o acusado como o atirador. Uma das testemunhas, segundo relato policial, já o conhecia e teria conseguido identificá-lo depois que ele retirou o capuz.

A defesa, porém, contestou a validade do reconhecimento e afirmou que não houve procedimento formal nos moldes previstos pelo Código de Processo Penal. Também sustentou que não existiriam indícios suficientes de autoria. O juiz rejeitou a preliminar e considerou outros elementos da investigação, incluindo dados de localização obtidos por meio de autorização judicial.

Ryan negou participação no homicídio. Em interrogatório, afirmou que estava no Rio de Janeiro e que esteve em Rio Claro apenas para visitar familiares. Também negou conhecer Eduardo e disse não ter participado do crime.

Eduardo também negou envolvimento. Segundo sua versão, ele encontrou a EcoSport já abandonada e com princípio de incêndio, abriu a porta para verificar se havia alguém dentro e deixou o local. Ele afirmou ainda que havia apresentado uma versão diferente à polícia porque teria sido ameaçado durante a prisão.

Júri 

Ao pronunciar os dois acusados, o juiz manteve duas qualificadoras do homicídio: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A primeira foi relacionada ao contexto de organizações criminosas e eliminação de integrantes de grupos rivais. A segunda considerou a abordagem de surpresa e os disparos realizados durante a fuga da vítima.

Ryan permanece foragido. A Justiça determinou a expedição de mandado de prisão contra ele. Eduardo teve a prisão mantida e deverá permanecer preso para a continuidade do processo.

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Divulgação - Justiça de Rio Claro manda a Júri dois acusados por execução

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