A busca por uma pele firme, um rosto rejuvenescido e um corpo bem definido tem impulsionado a procura por procedimentos estéticos. No entanto, o aumento das intervenções não significa, necessariamente, satisfação com os resultados. Para a biomédica esteta Cristiane Moura, especialista em biomedicina estética e cosmetologia, é preciso ampliar a discussão sobre beleza e compreender que a qualidade da pele e a aparência corporal estão relacionadas a fatores que vão além dos tratamentos realizados em consultório.

“Será que a beleza que vemos nas redes sociais depende apenas de procedimentos?”, questiona a profissional. Para ela, a expectativa de alcançar uma aparência próxima à de imagens publicitárias, muitas vezes retocadas ou produzidas em condições específicas, pode levar à frustração quando o paciente desconsidera aspectos como envelhecimento natural, composição corporal, saúde, hábitos cotidianos e características individuais.

A proposta defendida por Cristiane é olhar para a estética de maneira integrada, considerando a pele, os músculos, a alimentação, o sono, a atividade física e o equilíbrio emocional. “A verdadeira beleza não é feita só de preenchimento. Ela é feita de estrutura, de hábito e de saúde. Músculo é beleza. Rotina é beleza. Saúde é beleza”, afirma.

Emagrecimento rápido e os desafios para a pele

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras trouxe novos questionamentos para a área da estética. Medicamentos que atuam sobre mecanismos relacionados ao apetite e à saciedade podem contribuir para uma perda significativa de peso quando utilizados com indicação e acompanhamento médico. Entretanto, o emagrecimento também pode envolver redução de massa magra, além da perda de gordura, e mudanças perceptíveis no contorno corporal e facial.

Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2025, que reuniu 22 ensaios clínicos e 2.258 participantes, identificou redução de massa magra associada ao uso de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1. Nos estudos analisados, essa perda correspondeu, em média, a aproximadamente 25% da redução total de peso, embora os resultados variassem conforme o tratamento e as características dos participantes.
O dado reforça a importância de acompanhar não apenas os números apresentados pela balança, mas também a composição corporal e a preservação da musculatura durante o processo de emagrecimento.

“Emagrecer sem cuidar da massa muscular pode comprometer o resultado que a pessoa espera ver no espelho. A perda de volume facial, a flacidez e as mudanças no contorno corporal precisam ser compreendidas dentro de um contexto mais amplo. Não basta perder peso; é importante cuidar da saúde durante todo o processo”, explica Cristiane.
A profissional ressalta que o uso desses medicamentos deve ocorrer com indicação e acompanhamento médico. A alimentação, a atividade física e a avaliação individualizada também precisam integrar o planejamento, conforme as necessidades e as condições clínicas de cada paciente.

Quando o paciente faz de tudo e não percebe resultados

Uma das queixas recorrentes nos consultórios de estética, segundo a abordagem apresentada pela biomédica, é: “Já fiz de tudo e não vejo diferença na minha pele”.
Para Cristiane, situações como essa exigem uma investigação cuidadosa. Antes de propor novas intervenções, o profissional precisa compreender quais tratamentos já foram realizados, quais são as expectativas do paciente, como está a qualidade da pele e quais fatores individuais podem estar influenciando a resposta aos procedimentos.

“Quando a saúde não recebe a devida atenção, podemos observar resultados apenas temporários, que não correspondem à expectativa de transformação duradoura. É o que costumo comparar ao efeito Cinderela: a pessoa percebe uma melhora inicial, mas, depois que o inchaço diminui e os efeitos imediatos passam, volta a enxergar características que acreditava ter resolvido”, explica.

A comparação descreve uma percepção clínica, e não um diagnóstico. O inchaço pode, de fato, alterar temporariamente o volume e os contornos do rosto, mas nem todo resultado transitório decorre de problemas de saúde. A resposta depende do procedimento realizado, da anatomia, das condições individuais e do tempo necessário para a recuperação.

Nesse contexto, a preparação do profissional é fundamental. Compreender a expectativa do paciente, reconhecer os limites de cada técnica e avaliar a realidade clínica antes de indicar um tratamento são etapas essenciais para estabelecer objetivos possíveis e conduzir o atendimento com responsabilidade.

Academia da Pele: cuidar da beleza todos os dias

Para traduzir essa visão integrada, Cristiane criou o conceito de Academia da Pele. A proposta parte de uma ideia central: assim como o corpo precisa de cuidados contínuos para preservar força e funcionalidade, a pele também se beneficia de uma rotina consistente de proteção e manutenção.

A abordagem reúne cinco pilares:

  • Alimentação equilibrada: o organismo precisa de energia, proteínas e outros nutrientes para manter os tecidos e realizar suas funções. A ingestão adequada de proteínas, individualizada conforme as necessidades de cada pessoa, contribui para a manutenção muscular. A produção de colágeno também depende de nutrientes e do funcionamento adequado do organismo.
  • Atividade física: exercícios aeróbicos e, especialmente, atividades de fortalecimento muscular ajudam a preservar a capacidade funcional e a composição corporal. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem atividades de fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana, respeitando suas condições individuais.
  • Sono de qualidade: dormir adequadamente favorece a recuperação do organismo e participa de processos importantes para a saúde. A privação de sono pode afetar o bem-estar e comprometer a recuperação física.
  • Saúde emocional: o estresse persistente pode interferir no sono, nos hábitos alimentares e no bem-estar geral. Cuidar da saúde emocional também faz parte de uma rotina de autocuidado.
  • Hidratação e proteção da pele: a ingestão adequada de água contribui para o funcionamento do organismo, enquanto a hidratação tópica e a proteção solar ajudam a manter a barreira cutânea e a reduzir danos relacionados à exposição ultravioleta.

“Eu vivi na pele a autossabotagem. Durante muito tempo, me escondi atrás de um rosto bonito e dos procedimentos estéticos, sem encarar plenamente questões importantes da minha saúde, como a síndrome de Hashimoto, uma doença autoimune, a obesidade e a compulsão alimentar. Assim como muitas mulheres, acreditava que perder peso e ficar magra era o caminho para me sentir melhor. Hoje, entendo que a beleza vai muito além da aparência: saúde, bem-estar e qualidade de vida são fundamentais”, diz a biomédica.

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EXERCÍCIOS | MÚSCULOS | Saúde

Divulgação - Biomédica esteta Cris Moura

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