A história da fábrica de papéis de Monte Alegre, em Piracicaba, começou em 1953. Ao longo de mais de sete décadas, a unidade passou por diferentes ciclos de desenvolvimento até chegar, em 2011, a um novo capítulo: a aquisição pela japonesa Oji Holdings Corporation e o início da operação da Oji Papéis Especiais no Brasil.
Quinze anos depois, a empresa chega a 2026 com uma estrutura muito diferente daquela encontrada no início da operação. A transformação envolveu tecnologia, processos, capacidade produtiva, desenvolvimento de produtos e, principalmente, a conquista de novos mercados.
Para o presidente Agostinho Monsserrocco , o grande marco dessa trajetória foi o Projeto OJI 21, maior investimento realizado pela companhia na unidade brasileira.
“O OJI 21 colocou a empresa em um patamar de competição muito melhor, com uma máquina extremamente competitiva e atualizada. Isso nos permitiu ampliar o olhar para outros mercados. Antes, éramos muito focados no mercado brasileiro.”
Anunciado em 2019, o projeto envolveu investimentos de aproximadamente R$ 550 milhões, com a implantação do novo coater PC4, a modernização da máquina P2 e melhorias na área de acabamento. A capacidade de produção de papel térmico passou de cerca de 80 mil para 150 mil toneladas por ano.
Mais do que ampliar a produção, o investimento mudou a capacidade da empresa de competir em um mercado cada vez mais global.
Uma fábrica transformada
A modernização industrial foi acompanhada por uma profunda evolução dos processos. “Mudamos praticamente tudo em produção. Foram diversos investimentos que culminaram com o OJI 21, o maior deles. Hoje temos uma produção muito mais automatizada e um olhar muito grande para a competitividade”, afirma André Rocha, diretor de produção.
Segundo ele, a unidade passou a trabalhar com tecnologia de ponta em equipamentos e processos, um diferencial importante diante da concorrência internacional. “Temos hoje tecnologia de estado da arte em equipamentos e processos. Isso nos coloca em uma posição muito competitiva, inclusive diante dos asiáticos.”
A transformação, porém, não ficou restrita às máquinas. Ao longo dos últimos anos, a empresa também trabalhou na evolução de processos e na construção de uma cultura mais clara, com valores e competências definidos.
“Hoje temos mais clareza sobre nossos valores, nossas competências e o que a empresa espera de cada colaborador. É esse conjunto de pessoas, comportamento e tecnologia que nos torna mais competitivos”, explica André.
De uma operação nacional para novos mercados
Na área comercial, a principal transformação dos últimos 15 anos foi a ampliação dos mercados atendidos.
Para Thiago Matos, diretor comercial, a evolução da capacidade produtiva permitiu que a empresa construísse uma nova estrutura comercial e operacional para atuar fora do país.
“Construímos esse know-how ao longo desse tempo: qualidade do produto, vendas, logística e desenvolvimento de produtos adequados aos diferentes mercados.”
Hoje, quase metade da produção da unidade de Piracicaba é destinada à exportação, com presença ampliada em mercados na América Latina, Canadá, Europa e África.
“O aumento do faturamento foi alavancado pela capacidade produtiva e pelo desenvolvimento de novos mercados. Mas o caminho passa por qualidade, produtos adequados, pessoas e estrutura. Construímos esse know-how de empresa exportadora ao longo desses anos”, afirma Thiago. ampliação da capacidade também abriu espaço para a diversificação do portfólio e para o desenvolvimento de novas soluções, como o Policoat, papel barreira voltado a aplicações em embalagens.
A estratégia é ampliar as possibilidades de negócio sem abandonar a principal especialidade da companhia. “Não está nos planos da empresa abrir mão dos papéis térmicos. Essa continua sendo nossa especialidade. Mas, em paralelo, teremos novos produtos”, afirma Thiago.
Os próximos 15 anos começam agora
A transformação construída desde a chegada da Oji criou uma empresa diferente daquela que existia há 15 anos. Para a liderança, no entanto, essa estrutura é apenas o ponto de partida.
“Construímos os alicerces para os próximos 15 anos. Temos estrutura, mas só isso não garante o sucesso dos próximos 15 anos. O mercado muda rápido demais. Precisamos nos comprometer com a inovação e nos dedicar arduamente para alcançarmos um futuro promissor”, afirma Thiago.
Para Agostinho, o futuro é consequência direta da transformação vivida pela empresa. “Enxergo a Oji mais diversa, com tecnologia de ponta e um olhar para outras possibilidades. O que construímos nesses 15 anos nos dá condições de olhar para frente de uma maneira diferente. Hoje temos uma estrutura, uma tecnologia e uma capacidade que nos permitem pensar além do que fazíamos no passado. E, ao mesmo tempo, contamos com um apoio muito grande da Oji Holdings, fundamental para que pudéssemos avançar”, completa o presidente.
Para André, o futuro também passa pela capacidade de a empresa continuar se reinventando. “O futuro será de muitos desafios. Precisamos estar abertos a este mercado e a outros potenciais. Precisamos olhar para novos negócios, novas possibilidades e entender o que o mundo está demandando.”
Uma história construída por pessoas
A transformação da Oji Papéis também é contada pela experiência de quem acompanhou diferentes fases da indústria. Agostinho, Thiago e André fazem parte dessa trajetória. Acompanharam, ao longo de suas carreiras, as mudanças da companhia e a transformação da operação de Piracicaba.
Ao completar 15 anos no Brasil, a Oji Papéis chega, portanto, a um ponto de transformação. O OJI 21 mudou a estrutura da fábrica. A expansão dos mercados ampliou a dimensão do negócio. A tecnologia mudou a forma de produzir. E a evolução cultural preparou as pessoas para acompanhar esse novo cenário.
Agora, esses elementos se encontram para sustentar o próximo capítulo.
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