Piracicaba chega às eleições de 2026 com 310.335 eleitores aptos a votar e um histórico recente de aumento da abstenção. Em menos de duas décadas, o percentual de eleitores que não compareceram às urnas na cidade mais que dobrou, passando de 13,18% nas eleições de 2006 para 29,11% no primeiro turno das eleições municipais de 2024.
O levantamento considera as eleições proporcionais realizadas desde 2006 e os dois últimos pleitos municipais. Em números absolutos, a diferença também chama a atenção: em 2006, Piracicaba tinha 240.285 eleitores e registrou 208.609 comparecimentos. Já em 2024, eram 314.355 eleitores, dos quais 222.835 foram às urnas no primeiro turno.
Com isso, 91.520 eleitores deixaram de votar em Piracicaba em 2024.
Abstenção cresce ao longo dos anos
Os dados mostram uma trajetória de crescimento. Em 2006, a abstenção era de 13,18%. Dois anos depois, passou para 13,97% e chegou a 15,42% em 2010.
Em 2012, o índice alcançou 17,79%. Nas eleições de 2014, subiu para 19,07% e chegou a 21,29% em 2016. Em 2018, praticamente não houve alteração: 21,28%.
O maior percentual da série ocorreu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando 30,51% dos eleitores não compareceram às urnas. Naquele ano, Piracicaba tinha 290.998 eleitores e registrou 202.203 comparecimentos.
Nas eleições gerais de 2022, a abstenção caiu para 22,05%, com 67.918 eleitores ausentes entre os 308.006 aptos.
O índice voltou a subir nas eleições municipais de 2024, quando alcançou 29,11%.
Mais de 310 mil eleitores em 2026
Para as eleições deste ano, Piracicaba tem 310.335 eleitores aptos a votar. Desse total, 264.383 estão sujeitos à obrigatoriedade do voto.
O voto é facultativo para eleitores de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas analfabetas.
As eleições serão realizadas em 4 de outubro. Um eventual segundo turno para a Presidência da República está marcado para 25 de outubro.
Se Piracicaba repetisse em 2026 exatamente o índice de abstenção registrado no primeiro turno de 2024, de 29,11%, seriam aproximadamente 90,3 mil eleitores ausentes.
A projeção é apenas uma referência baseada no resultado anterior e não representa uma previsão para este ano.
Por que os eleitores não vão às urnas?
Para o publicitário Chico Rangel, a abstenção é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, estão as regras que tornam o voto facultativo para determinados grupos, eleitores que moram fora do município e precisam justificar a ausência e pessoas que optam deliberadamente por não votar. Na avaliação de Rangel, também é possível considerar o descrédito de parte do eleitorado em relação à política como um dos fatores, embora ele ressalte que existem diferentes razões para a ausência. "Tem vários fatores", afirma.
Outro ponto levantado por Rangel é o impacto da abstenção sobre a possibilidade de Piracicaba eleger representantes para a Assembleia Legislativa de São Paulo e para a Câmara dos Deputados.
Para ele, não é possível considerar que os votos dos eleitores que deixam de comparecer às urnas seriam suficientes, isoladamente, para garantir a eleição de um candidato da cidade.
Segundo o publicitário, candidatos a deputado precisam construir votação em diferentes regiões. A cidade pode funcionar como uma das principais bases eleitorais, mas a votação obtida fora do município também é importante para a disputa.
Rangel faz uma comparação com as eleições para vereador: uma votação concentrada apenas em determinados bairros não significa, necessariamente, a conquista de uma cadeira na Câmara.
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