Você entra na loja e logo se imagina em uma época que, às vezes, nem viveu. Se depara com discos, livros, CDs, DVDs, revistas e uma infinidade de coisas que contam histórias. Trata-se Sebo de Mauá, localizado no centro da cidade da Grande São Paulo, e que reúne milhares de itens.
O espaço acompanha o desenvolvimento do município pelos olhos do “Seu Luiz”, dono da livraria e conhecido por cada um que entra no sebo.
Luiz Carlos Rossetti, 71, veio do Vale do Ribeira para Mauá ainda criança, e foi nas ruas do bairro Vila Assis que passou a infância. Na cidade da porcelana, Luiz teve uma empresa de cerâmica onde fazia enfeites para aquários, há mais de 30 anos, mas desde sempre os livros foram sua paixão. Quando gostava muito do livro, eu comprava e dava de presente, comprava 20, 30, 40, conta.
Luiz e o filho Leandro, que cuida das vendas online do Sebo @Kethilyn Mieza/Agência Mural
Ele relembra que chegou ao fundo do poço umas três vezes e, em uma delas, começou com uma lojinha na periferia e um lote de livro.
Foi legal, porque uma pessoa entrou, comprou um livro que valia o faturamento de uma semana. Aí eu falei: pô, esse é um sinal, é o meu rumo. E aí eu comecei a buscar outros locais para pegar livros, comecei a aumentar, aumentar. Depois eu vim para o centro da cidade. E aí de lá não parei mais, conta.
Hoje, o Sebo de Mauá é o único na cidade, e conta com um acervo de encher os olhos dos amantes da cultura. Luiz brinca que a quantidade de livros que tem empilhados chegam a duas vezes a altura do Burj Khalifa, prédio de Dubai considerado o mais alto do mundo, com cerca de 828 metros.
‘Acabei fazendo uma calda longa, que é quando você tem um estoque de produto. Então, esse daí que é meu oxigênio, que me dá muita tranquilidade para administrar o meu negócio’
Luiz Carlos, proprietário do Sebo de Mauá
É assim que ele se descreve quando questionado sobre como se sente fazendo parte da história de Mauá com o sebo. Com a experiência vendendo e consumindo os conteúdos dos livros, ele conta que essa é uma forma de difundir conhecimento e ajudar as pessoas a crescer por meio dele.
Livro impresso x digital
Em uma comparação entre o livro físico e os conteúdos digitais, conta que, na primeira opção, conseguimos fazer com que nosso cérebro grave de uma forma melhor o que está lendo, diferente dos vídeos que consumimos nas redes sociais.
Além disso, Luiz também reflete sobre as mudanças tecnológicas e como os itens que usamos hoje perdem o valor rapidamente, diferente dos livros. Um livro, se estiver bem protegido, a pessoa vai olhar da página 1 à página 200 e vai ler, entender, está gravado no livro, explica.
Luiz diz que as vendas online foram ‘a salvação da lavoura’ @Kethilyn Mieza/Agência Mural
Há 27 anos com o trabalho, ele acompanhou também como a tecnologia mudou a forma de comprar livros e consumir cultura. E foram muitas mudanças:
O livro físico deu lugar a leituras digitais, o disco de vinil se tornou uma música baixada no celular, os DVDs deram lugar aos streamings, os jornais impressos passaram a ser vistos no feed do Instagram e as vendas, que antes eram somente físicas, passaram também a ser online.
Apesar disso, a procura por esses itens considerados antigos ainda é grande. Com a pandemia de Covid-19 e o aumento das compras online, o Sebo de Mauá passou a funcionar também em aplicativos de marketplace. O dono conta que essa foi uma forma de alavancar os negócios durante aquele período, e uma salvação para o negócio.
Ele ainda explica que os públicos são muito diversificados, o cliente que compra online tem um perfil, já aquele que vai até a loja tem outro.