As eleições vão muito além de Brasília e das regiões centrais das grandes cidades. Nas periferias, que concentram grande parte dos eleitores, os debates passam pelo acesso a serviços públicos, pela representação política e pelo uso dos recursos públicos nos territórios.
Na cobertura das eleições de 2026, a Agência Mural se dedicou a produzir reportagens especiais, análises políticas, ferramentas interativas, guias, notas de serviço e conteúdos para engajamento nas redes sociais.
Além disso, apostou em parcerias com outras organizações, para aproximar ainda mais o processo eleitoral do cotidiano dos moradores das quebradas da Grande São Paulo.
Periferias na política
A representatividade dos jovens na política foi um dos temas centrais da cobertura. A partir de reportagens e análises, a Mural buscou mostrar quem consegue disputar um cargo público, quais propostas foram apresentadas e que barreiras ainda dificultam a presença de determinados grupos na política.
As pautas abordaram candidaturas de mulheres, em especial das mães, e de grupos historicamente sub-representados, como as pessoas com deficiência e as LGBTQIAP+. As análises de cientistas políticas ajudaram a contextualizar as disputas e a discutir os fatores que influenciam o comportamento dos eleitores nas periferias, incluindo a dificuldade de mobilizá-los para ir votar.
No dia de votação do primeiro turno, a reportagem esteve nas ruas. Correspondentes locais registraram o dia da votação em diferentes territórios da Grande São Paulo e retratam os sentimentos e expectativas dos eleitores que foram às urnas.
Em Diadema, no ABC Paulista, a jornalista Simony Maia acompanhou o primeiro voto de um jovem com baixa visão. No Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, a correspondente Raphaela Guimarães compartilhou os desafios de votar longe de casa.
Já no bairro José Bonifácio, na zona leste da capital, a repórter Anna Celli acompanhou Nair Reis Marcelino que, aos 88 anos, fez questão de ir às urnas.
A Mural fez também a cobertura da apuração dos votos em tempo real, com olhar focado para resultados das periferias, para que os moradores possam acompanhar a disputa com informações contextualizadas sobre as regiões onde vivem.
O voto e a participação política
Para ajudar os leitores a tomar sua decisão, a equipe da Mural desenvolveu ferramentas interativas para consultas e avaliações de dados e comportamentos dos candidatos e dos pleitos passados.
Uma delas foi o Mural de Votos, que permite consultar os candidatos mais votados nas eleições de 2022 nas 57 zonas eleitorais da capital paulista e nos 39 municípios da Grande São Paulo. A consulta, feita por cargo e localidade, oferece um panorama dos resultados anteriores e ajuda a contextualizar as disputas atuais.
É possível comparar candidatos com os concorrentes da eleição deste ano e refletir se aqueles que foram eleitos no passado fizeram um bom mandato e se de algum modo ajudaram a região.
Paulo Talarico, diretor de treinamento e dados
A Calculadora de Apoios também fez parte da cobertura, relacionando quem seu candidato à deputado apoiou para presidente e governador de São Paulo. A ferramenta contribui para que os eleitores compreendam as alianças que compõem o cenário político e as relações entre partidos e candidaturas.
Já o Guia das Eleições nas Periferias reuniu orientações interativas para ajudar os eleitores a identificar fake news e desinformações antes de compartilhá-las, incluindo materiais produzidos ou manipulados com uso de Inteligência Artificial.
Jacqueline Maria, repórter da Mural, conversa com jovens sobre política durante a cobertura das eleições de 2026 @Léu Britto/Agência Mural
Parcerias e engajamento cívico
A Agência Mural integrou o projeto Territórios do Voto, em parceria com o canal Amado Mundo. A iniciativa reuniu veículos independentes de diferentes regiões do país para produzir conteúdos sobre participação política e experiências locais, aproximando o debate eleitoral das vivências dos moradores.
Outra frente foi a participação na Trilha de Engajamento Cívico do ICCI (Instituto Cultura, Comunicação e Incidência), com ações para fortalecer a divulgação dos conteúdos e aproximar ainda mais os debates sobre participação política e processo eleitoral dos moradores das periferias.
Ouvir quem vive nesses territórios ajuda a entender o que mobiliza as pessoas e como elas enxergam a política e o futuro de seus bairros, conclui Vagner de Alencar, diretor de Jornalismo.
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