O Sebrae-SP participou da realização do 21º Concurso de Qualidade do Café de Divinolândia, realizado em 12 de setembro, iniciativa que evidencia o padrão dos cafés produzidos no município e estimula os cafeicultores a aperfeiçoarem continuamente processos, atributos sensoriais e estratégias de comercialização. A ação também cria oportunidades para que a qualidade alcançada nas propriedades rurais se converta em maior valor agregado e novas possibilidades de negócios.
O concurso é promovido por um pool formado pela Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolândia (Aprod), Sindicato Rural de Divinolândia, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faesp/Senar) e Sebrae-SP, instituições que atuam conjuntamente para fortalecer a cadeia produtiva e ampliar o acesso dos produtores a conhecimento, orientação técnica e oportunidades de mercado.
Em sua 21ª edição, o concurso recebeu 44 amostras, sendo 35 na categoria Natural e nove na categoria Fermentado. Os cafés passaram por avaliação técnica baseada em critérios de qualidade e atributos sensoriais, proporcionando aos participantes uma leitura mais precisa das características e do potencial de sua produção.
Além do reconhecimento aos melhores cafés, a iniciativa proporciona aos produtores acesso a informações que podem subsidiar decisões dentro da propriedade e aprimorar estratégias de comercialização. Cada participante recebe um laudo técnico de avaliação da qualidade, instrumento que permite compreender melhor o perfil do café produzido e pode ser utilizado na prospecção de compradores e de mercados que valorizam atributos diferenciados.
Para Junio Correia, consultor e gestor de desenvolvimento territorial do Sebrae-SP, o concurso vai além da competição entre os produtores. O concurso é um momento em que o produtor conhece a qualidade do café produzido, seus atributos sensoriais e tem uma oportunidade de pensar em comercializar sua produção com maior valor agregado. Ele também recebe um laudo técnico que atesta a qualidade do café. Para o Sebrae, levar conhecimento técnico ao produtor sobre qualidade e, ao mesmo tempo, auxiliar individualmente no acesso a novos mercados é uma transformação que pode mudar inclusive a forma como o produtor enxerga e administra sua propriedade”, ressalta.
A participação do Sebrae-SP integra um conjunto de ações direcionadas ao fortalecimento da cafeicultura de Divinolândia, aproximando os produtores de ferramentas de gestão, conhecimento técnico e mecanismos capazes de favorecer o aprimoramento da qualidade e a abertura de novos canais comerciais. A estratégia também contempla o estímulo ao associativismo e à cooperação entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
Segundo o gerente regional do Sebrae-SP Danilo Serafim Alves, a tradição cafeeira do município está associada a uma estrutura coletiva que contribui para a competitividade dos produtores. Divinolândia se destaca na produção de cafés, e a Aprod é uma referência nacional em Fairtrade Comércio Justo. Há muito tempo os produtores se organizam coletivamente, com princípios estratégicos de governança, e essa organização contribui para que o setor cafeeiro de Divinolândia permaneça fortalecido e aquecido”, destaca.
A articulação entre produtores e instituições também é apontada como um vetor para o desenvolvimento do associativismo. Para Luís Antônio de Marco de Sordi, presidente da Aprod, a parceria com o Sebrae-SP contribui diretamente para o fortalecimento dos produtores e do associativismo. O Sebrae tem sido um parceiro fundamental para o fortalecimento do associativismo e para os produtores rurais, que veem no Sebrae um parceiro estratégico para o aprimoramento dos seus negócios, enfatiza.
O Sindicato Rural de Divinolândia ressalta, por sua vez, a importância da atuação integrada das entidades que apoiam a atividade cafeeira no município. Para Francisco Sérgio Lange, presidente do Sindicato Rural de Divinolândia, a união entre Sindicato Rural, Faesp/Senar, Sebrae-SP e Aprod é fundamental para o avanço do setor. As instituições, Sindicato Rural, Faesp/Senar, Sebrae e Aprod, são fundamentais para o progresso da cafeicultura de Divinolândia. Atualmente, o município se destaca na produção de cafés especiais e na cafeicultura regenerativa. A sustentabilidade precisa estar presente no cotidiano do produtor, e são essas instituições que contribuem para levar conhecimento, orientação e apoio para que essa transformação aconteça”, considera.
Qualidade que se transforma em valor
O concurso ultrapassa a dimensão de uma premiação. Ao identificar e reconhecer atributos específicos dos cafés, a iniciativa proporciona aos produtores elementos para avaliar o próprio trabalho e buscar avanços em diferentes etapas da atividade, desde a colheita e os procedimentos de pós-colheita até o beneficiamento, armazenamento e comercialização.
A avaliação sensorial assume, nesse processo, papel estratégico. Ao conhecer a pontuação e as características do próprio café, o produtor amplia sua capacidade de compreender o produto que tem em mãos e de identificar caminhos para posicioná-lo de maneira mais adequada diante de compradores e consumidores.
A lógica está diretamente relacionada à agregação de valor: cafés que apresentam características diferenciadas podem ser direcionados a nichos de mercado dispostos a reconhecer atributos de qualidade. Para o produtor, isso significa transformar conhecimento sobre o próprio produto em subsídios para decisões comerciais mais qualificadas.
Em Divinolândia, a combinação entre aprimoramento técnico, organização coletiva, sustentabilidade e aproximação com o mercado fortalece não apenas as propriedades participantes, mas também o ambiente de negócios da cafeicultura no município.
Conheça os vencedores
O 21º Concurso de Qualidade do Café de Divinolândia reconheceu os produtores que alcançaram as maiores pontuações nas duas categorias avaliadas.
Na categoria Fermentado, o grande destaque foi Manasses Sampaio Dias, do Sítio Três Barras, que conquistou o 1º lugar, com 86,83 pontos.
Na categoria Natural, o vencedor foi Paulo Antonio Alves da Costa, do Sítio Córrego do Felipe, com 88,50 pontos.
Os resultados evidenciam a capacidade dos cafeicultores de Divinolândia de produzir cafés com atributos diferenciados e reforçam a importância de iniciativas que estimulem o aperfeiçoamento técnico, a valorização da produção e a aproximação com mercados especializados.
Ao chegar à 21ª edição, o concurso reafirma sua função como instrumento de reconhecimento e estímulo à cafeicultura do município, reunindo produtores e instituições em torno de uma agenda que associa qualidade, conhecimento, sustentabilidade, organização coletiva e geração de valor.