A urna eletrônica é imune a invasões cibernéticas por funcionar de forma isolada, sem placa de rede ou qualquer tipo de conexão à internet. A garantia é do secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Andrey Bernardes. Além de operar fora da rede (offline), o equipamento só executa programas previamente inspecionados e homologados.

O processo conta com cerca de 40 etapas de auditoria. A preparação das urnas ocorre diante de juiz eleitoral, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), imprensa e entidades fiscalizadoras. Ao final da votação, a máquina emite o Boletim de Urna (BU) impresso, que fica acessível aos fiscais e é fixado publicamente na seção eleitoral com o resultado dos votos.

Bernardes ressalta que o equipamento integra uma estrutura ampla, que inclui o cadastro de votantes e candidatos, a transmissão criptografada e a apuração oficial.

A urna eletrônica está integrada a um grande ecossistema de sistemas interligados. O objetivo dela é colher os votos dos eleitores e somá-los ao final da votação para envio ao sistema de totalização, explicou o secretário.

Para combater a desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém uma página na internet voltada a checar e esclarecer boatos sobre as eleições.

Criptografia e sigilo do voto

O modelo adotado no país é de primeira geração no qual o voto é integralmente digital , explica o engenheiro de computação do Instituto Aaron Swartz, Lucas Lago. O especialista ressalta que o sistema evoluiu ao longo dos anos: a urna grava os votos de forma aleatória em uma tabela criptografada para proteger o sigilo do eleitor e garantir que ninguém saiba em quem o cidadão votou.

Lago destaca a segurança das barreiras digitais: Algoritmos criptográficos verificam se o programa em execução na urna tem exatamente a mesma assinatura digital do software lacrado e testado. Essa checagem complexa garante a integridade total do sistema.

Auditorias e testes de segurança

Um ano antes do pleito, a Justiça Eleitoral realiza o Teste Público de Segurança da Urna (TPS). No evento, peritos, pesquisadores e instituições tentam atacar o sistema para apontar eventuais fragilidades. Caso alguma falha seja identificada, a equipe técnica desenvolve correções, e os participantes voltam a avaliar o código.

No dia da votação, ocorre o Teste de Integridade: urnas sorteadas passam por uma votação simulada e auditada para comprovar que o voto digitado corresponde exatamente ao voto gravado e impresso no boletim.

O sistema eleitoral brasileiro é bastante robusto e seguro, mas a urna passa por uma evolução contínua, avaliou Lago. O engenheiro defende para o futuro o uso de modelos de segunda geração, que incluam o registro impresso para auditoria por amostragem física após a votação.

30 anos de história

Em agosto, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, apresentou a estrutura de segurança das eleições a representantes de 91 países e de três organismos internacionais: Liga dos Estados Árabes, Organização das Nações Unidas (ONU) e União Europeia. Na ocasião, o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, destacou que não há registro de fraude na coleta, apuração e totalização de votos nos 30 anos de uso das urnas.

No dia 4 de outubro, serão utilizadas 560.011 urnas eletrônicas em 2.641 zonas eleitorais, divididas em mais de 497 mil seções nos municípios brasileiros.

A Justiça Eleitoral foi criada em 1932 e deu o primeiro passo rumo à tecnologia em 1985, com o cadastro unificado de eleitores. As primeiras experiências com voto eletrônico ocorreram na década de 1980, em Santa Catarina. O modelo oficial de urna eletrônica estreou em 1996 e atingiu 100% do eleitorado no ano 2000.