A Agência Mural percorreu todos os 21 pontos de ônibus distribuídos ao longo da rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, para avaliar as condições dos locais utilizados pelos passageiros. No município, a rodovia liga São Bernardo à capital paulista e também é uma das principais vias de acesso à Baixada Santista. Ao todo, a investigação encontrou situações distintas ao longo dos 15 quilômetros percorridos.

Nos trechos mais movimentados e bem localizados, há pontos com estruturas novas e de fácil acesso. É esse o caso do abrigo em frente à fábrica da Volkswagen, que está entre os que apresentaram melhores condições ao longo da rodovia. Entretanto, esse padrão varia de acordo com a parada.

Eles estão mexendo nos pontos de ônibus, fazendo alguns modernos e bonitos. Mas esse daqui eles não reformaram ainda, está bem velho e antigo”, diz Ione Rodrigues, 49, moradora do bairro Jardim Jussara, sobre a parada da Vila Sabesp.

Os pontos em bairros mais afastados são os que demonstram más condições para os passageiros @Daniela Ferreira/Agência Mural

Outro problema estrutural identificado é a distância entre os abrigos e os locais onde os ônibus efetivamente param para o embarque e desembarque. Três pontos nem mesmo tinham assentos.

A auxiliar de cozinha Paola Trajano, 24, moradora do bairro do Areião, reclama da funcionalidade da parada de ônibus que utiliza próximo de onde mora.

‘Não servem para nada. As coberturas ficam muito longe dos locais de embarque; quando chove, molha do mesmo jeito; não tem cobertura. É só pra falar que tem mesmo’

Paola, auxiliar de cozinha

Em alguns dos trechos, a situação se torna ainda mais precária. Nos quilômetros 20 e 21, na altura da saída 21 A, por exemplo, não existe abrigo para os passageiros. As duas paradas são identificadas apenas por uma placa perto do acostamento, cercada por grama e lixo.

Passageiros no ponto de ônibus, a maioria, das parada na Via Anchieta tem uma estrutura antiga @Daniela Ferreira/Agência Mural

Além da falta de proteção para o sol e a chuva, outros nove pontos também apresentam obstáculos para usuários que utilizam cadeira de rodas ou têm outro tipo de dificuldade de locomoção. Acessos estreitos ao acostamento e calçadas, pilares instalados nas passagens e ausência de rampas são comuns nas paradas de ônibus da rodovia.

A analista financeira Karine Gatling de Matos Silva, 42, moradora do bairro Terra Nova II, utiliza este ponto de ônibus e relata as dificuldades enfrentadas pelos passageiros.

Esse ponto mesmo, ele não tem um abrigo e, como ele fica bem à beira da rodovia, os carros passam em alta velocidade. E, quando está chovendo, você toma um banho. É completamente escuro à noite e, se uma pessoa utiliza cadeira de rodas ou tem mobilidade comprometida, eu nem sei como ela conseguiria chegar ao ponto”, afirma.

Karine conta que, devido à demora, às vezes desistia de pegar o ônibus e optava por esperar o esposo ir buscá-la @Daniela Ferreira/Agência Mural

Superlotações e demoras

A demora e a lotação dos ônibus também estão entre as reclamações dos passageiros ouvidos pela Agência Mural.

A estagiária em engenharia mecânica, Ana Paula Cagnotto, 21, moradora do bairro Ipê, utiliza frequentemente o ponto de ônibus na região do Rudge Ramos, para pegar o ônibus que vai até o Sacomã.

Ana relata que, embora a demanda pelos ônibus que vão sentido São Paulo seja alta, a frota de ônibus oferecida não é suficiente.

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Os pilares impedem a acessibilidade de pessoas com limitações de locomoção no quilômetro 21 @Daniela Ferreira/Agência Mural

Os pontos de ônibus da rodovia Anchieta não tem uma cobertura para proteger os passageiros em dias de chuva e são poucas placas de sinalização @Daniela Ferreira/Agência Mural

Neste ponto do KM 21 só tem a placa sem nenhum abrigo para os usuários dos ônibus @Daniela Ferreira/Agência Mural

Ana também relata sobre o perigo que é utilizar os pontos tão perto do acostamento da rodovia @Daniela Ferreira/Agência Mural

Quando eu pego de manhã, ele vem lotado, porque são poucos os ônibus que vão para São Paulo. Além disso, os ônibus passam por muitos bairros antes de chegar ao ponto. Então, quando você finalmente consegue pegar o transporte, ele está sempre lotado”, diz Ana Paula.

Para alguns passageiros, ter que desistir de embarcar na condução lotada para tentar uma nova chance no próximo ônibus se torna a única alternativa. Foi o que aconteceu com a Michelle Cristiane Costa, 35, moradora do Jardim Silvina.

Ela conversou com a Agência Mural após desistir de entrar em um ônibus, por causa da lotação. Aqui até passa ônibus, mas está sempre cheio!”, diz Michelle.

O que diz o poder público

O nome da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) aparece em diversas placas de paradas na Anchieta. Por isso, a Agência Mural entrou em contato com o órgão, mas, até o fechamento desta matéria, não obtivemos nenhuma resposta.

A reportagem também contatou a Prefeitura de São Bernardo do Campo para saber quem é responsável pela instalação e manutenção das paradas e quais medidas estão previstas para melhoria desses espaços. Mas, até o fechamento, também não obtivemos resposta.

Em nota, a Next Mobilidade, empresa responsável por linhas que circulam na rodovia, afirma que algumas linhas possuem partidas programadas em intervalos próximos de 10 a 20 minutos, enquanto serviços de percurso mais longo ou seletivos apresentam intervalos superiores.

A empresa também pontua que as linhas são constantemente monitoradas para atender às demandas necessárias.

A operação é monitorada continuamente quanto à regularidade, demanda e condições de trânsito. Quando identificada necessidade operacional, podem ser avaliados ajustes na distribuição das partidas, reforços de atendimento ou alterações na programação, conforme critérios técnicos e procedimentos do sistema metropolitano.”

Agência Mural

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