As mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro para as Eleições 2026, representando 52,84% dos 158.745.463 cidadãos aptos a votar em outubro. O percentual feminino teve um acréscimo de 0,2 ponto percentual na comparação com as eleições gerais de 2022.

Por faixa etária, o maior contingente individual tem entre 40 e 44 anos (10,08% do total), mas nos últimos quatro anos, mais de 4,5 milhões de brasileiros ingressaram na faixa com mais de 60 anos. Com isso, a participação das pessoas idosas subiu de 21,02% para 23,60% do eleitorado. O grupo com mais de 70 anos cujo voto é facultativo reúne cerca de 15 milhões de votantes.

O cientista político Carlos Oliveira avalia que o interesse pelos temas coletivos se mantém com o avanço da idade. Pessoas que já tinham muito interesse por política, pessoas que se viam representadas, continuam tentando participar da democracia por meio do voto.

Para a coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Pública Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, o envelhecimento populacional tende a impactar as campanhas.

As pessoas estão chegando mais saudáveis, mais ativas, a uma idade mais avançada. Isso tem mudado o perfil do eleitorado para incorporar uma parcela cada vez mais significativa de pessoas mais velhas, alterando a oferta de discursos e de políticas públicas por parte das lideranças.

Eleitorado jovem

Entre os jovens de 21 a 34 anos, a participação caiu de 28,01% para 25,85%. Já no grupo de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, a proporção de títulos emitidos recuou 14,52%.

Carlos Oliveira explica que o engajamento familiar é determinante para a emissão do título na adolescência. Se a família e os colegas são engajados politicamente, a probabilidade de o jovem tirar o título e votar é maior.

Renda e abstenção

Segundo cruzamentos demográficos, 47% do eleitorado recebe até dois salários mínimos, com maior concentração na Região Nordeste e nas periferias urbanas. A faixa entre dois e cinco salários mínimos abrange 37% dos votantes, e apenas 2% declaram renda superior a cinco salários mínimos.

Mayra Goulart aponta que a vulnerabilidade socioeconômica afasta o cidadão das urnas.

Observa-se no eleitorado mais pobre uma maior probabilidade de abstenção. Com isso, essa parcela acaba sub-representada porque exerce menos o direito ao voto por barreiras materiais: não tem com quem deixar os filhos, mora longe da seção ou precisa trabalhar no dia. Essa é uma questão central para o poder público enfrentar, disse.

Diversidade e inclusão

Com o aprimoramento da autodeclaração no cadastro eleitoral, os dados de identidade étnico-racial apresentaram aumento expressivo:

  • Pardos: 16,9 milhões (eram 8,5 milhões em 2024);
  • Brancos: 11,69 milhões (eram 5,29 milhões);
  • Pretos: 3,58 milhões (eram 1,8 milhão);
  • Indígenas: 287,1 mil (alta de 84,47%);
  • Amarelos: 229,5 mil (eram 114,3 mil).

O contingente de pessoas com deficiência no cadastro eleitoral bateu recorde, totalizando 1,45 milhão de eleitores o dobro do observado nos últimos oito anos.

A legislação eleitoral e as normas do TSE também garantem o direito ao voto a pessoas presas provisoriamente (sem condenação penal transitada em julgado) e a adolescentes internados em cumprimento de medida socioeducativa.