O Sebrae-SP, por meio do Escritório Regional do Grande ABC, realizou na última sexta-feira (14/08), no Centro Tecnológico de Santo André, a 5ª edição do TIC -Tecnologia da Informação e Comunicação. O encontro reuniu cerca de 300 participantes entre representantes de startups e empresas de grande porte da área de tecnologia.

A programação foi conduzida pelo consultor de negócios do Sebrae-SP e gestor do Sebrae for Startups, Fabio Costa, que destacou a importância da integração entre os diferentes atores do ecossistema de inovação. O ecossistema tem que trabalhar em prol de vocês. E o poder público do ABC está fazendo uma esteira de lançamento de startups, de programas, de eventos, para a gente poder ter mais e mais empresas inovadoras, afirmou.

Na abertura, o gerente regional do Sebrae-SP ER Grande ABC, Vinicius Agostinho da Nóbrega, agradeceu à Prefeitura de Santo André por apoiar as iniciativas da instituição e destacou programas como Start, Spark, Speed, PEIEX, Agente Local de Inovação e Sebraetec. Todos os clientes desses programas têm algo em comum: a busca pela inovação, afirmou.  Vinicius também citou o projeto Loja do Futuro, que utiliza inteligência artificial para aprimorar o atendimento e o visual merchandising. Segundo ele, 237 empresas do Grande ABC já participam da iniciativa, mais que o dobro do segundo escritório regional do Sebrae-SP com maior adesão, que reúne 107 empresas. Isso mostra o apetite e o interesse das empresas da nossa região em buscar inovação, incorporar novas tecnologias e melhorar seus negócios, destacou. O gerente ressaltou ainda a importância da integração entre empresas, poder público e instituições para fortalecer o ecossistema regional. A inovação acontece quando conseguimos aproximar empresas, poder público, instituições e os diferentes atores do ecossistema, concluiu.

O secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego de Santo André, Evandro Banzato, destacou a movimentação do recém-inaugurado Parque Tecnológico. Segundo ele, entre 1.200 e 1.400 pessoas participaram de atividades realizadas no espaço durante a semana do evento, envolvendo temas como ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo.

A consultora de metodologia, contratada pelo Sebrae-SP, Tatiane da Costa, mostrou dados do programa ELI – Ecossistema Local de Inovação. Desenvolvida pelo Sebrae, a metodologia ELI propõe uma jornada colaborativa voltada à construção e ativação de ecossistemas de inovação com o objetivo de estimular o surgimento e o fortalecimento de empresas inovadoras, além de contribuir para o desenvolvimento econômico, social e cultural da região. ” Um dado chama bastante atenção: há cerca de 15 anos, o Grande ABC tinha aproximadamente 280 mil empresas. Hoje, são 402 mil empresas. “Ou seja, mesmo diante da saída ou da transformação de grandes indústrias, houve um crescimento expressivo do número de negócios na região. Isso mostra que o ABC não deixou de produzir riqueza”, iniciou Tatiane. A consultora destacou também a mudança de perfil da mão de obra: “a transformação tecnológica exige profissionais cada vez mais qualificados e cria oportunidades em áreas de maior valor agregado”, analisou.

O levantamento realizado no âmbito do ELI – Ecossistema Local de Inovação – mostra que o ABC já possui muitos elementos necessários para avançar: empresas, instituições de ensino e pesquisa, programas de incentivo, ambientes de inovação, políticas públicas e instituições de fomento. De acordo com Tatiane, na avaliação de maturidade do ecossistema, o Grande ABC alcançou 17,2 pontos, ficando na faixa de estruturação, já próximo do nível de desenvolvimento. “E existe um dado particularmente importante nessa avaliação: a região apresenta uma forte presença de pesquisa e instituições de ensino, com nota 4,28, além de uma atuação significativa dos programas de inovação”, aponta.  Ao mesmo tempo, o levantamento aponta um desafio: a governança. “Hoje, existem iniciativas, instituições e pessoas trabalhando pela inovação, mas ainda é necessário integrar essas ações e construir uma visão conjunta para as sete cidades”.

A proposta do ELI é conectar poder público, instituições de ensino, empresas, hubs de inovação e associações para fortalecer o ecossistema local, acelerar a competitividade e gerar novas oportunidades de negócios.

A presidente do Instituto de Tecnologia do Grande ABC  ITESCS, Luisa Caires, reforçou a importância de estimular essas conexões entre poder público, empresas e instituições. “Em 2024, com o apoio do Sebrae-SP, conseguimos o reconhecimento do Grande ABC como Polo de Tecnologia (CPL Cadeias Produtivas Locais). Isso é muito importante porque mostra que a região não é apenas um polo tradicional da indústria automobilística, mas também um polo de tecnologia”, lembrou. Luísa destacou que a região do Grande ABC tem hoje 12.946 empresas de tecnologia, mas existe um grande desafio: “muitas delas ainda não se conhecem. Isso acaba reduzindo a visibilidade que o Grande ABC poderia ter em comparação com outros polos tecnológicos do País. Por isso, buscamos uma solução que unisse as empresas privadas do setor, a academia e o poder público. Temos escolas e faculdades, três parques tecnológicos e secretarias municipais de Desenvolvimento cada vez mais voltadas para a tecnologia. A missão da CPL é fazer com que todos esses atores se comuniquem e atuem como um bloco”, ressaltou.

Experiências e tendências 

A programação contou com apresentações de três empresários, que compartilharam experiências, desafios e perspectivas sobre inovação e tecnologia.

Marian Canteiro, CEO da PagÚtil, contou que nunca planejou ser empreendedora e que sua trajetória foi construída a partir da identificação de problemas reais dos clientes. Comecei na área de tecnologia fiscal e percebi que tecnologia, por si só, não resolve os problemas se não olharmos para a jornada do cliente. Foi a partir da identificação de uma dor real que criamos a PagÚtil, uma solução para simplificar e automatizar pagamentos, afirmou.

Benício Filho, founder da Ravel Tecnologia, falou sobre sua trajetória empreendedora e a importância de fortalecer o ecossistema de inovação do Grande ABC. Para ele, empreender vai além da criação de empresas e envolve a geração de empregos, oportunidades e transformação na região. As empresas do ABC têm potencial para crescer e alcançar mercados nacionais e internacionais sem precisar abandonar suas raízes na região, defendeu.

Encerrando as apresentações, Luciano Gaspar, sócio-fundador da Beauty Code Tecnologia, compartilhou experiências de suas participações no SXSW, em Austin, no Texas, um dos principais eventos mundiais de inovação. Nas edições de 2025 e 2026, acompanhou 3.251 palestras e conheceu tecnologias e discussões que antecipam transformações em diferentes setores.  Segundo Luciano, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência e passou a fazer parte de uma convergência de tecnologias com impacto em diversos mercados. A IA pode ampliar nossas capacidades, mas também exige conhecimento, supervisão e responsabilidade. O desafio não é simplesmente usar a tecnologia, mas saber onde e como aplicá-la para gerar valor, afirmou.