"A gente viajou o mundo, estreou em Veneza, ganhou o prêmio principal da Giornate degli Autori, conquistou 46 prêmios internacionais. Mas ser reconhecida dentro do seu próprio país é muito especial" declarou Marianna Brennand, após a cerimônia de entrega dos troféus, na noite desta terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Kleber Mendonça Filho também comemorou a vitória e destacou a importância histórica do Grande Otelo para o fortalecimento do cinema nacional.
"Eu cobri esse prêmio quando era jornalista e hoje estou aqui como cineasta. É um prêmio do Brasil para o mercado brasileiro, para o cenário brasileiro. É um reconhecimento para nós que trabalhamos com cinema aqui."
Ao longo da cerimônia, vencedores de diferentes categorias ressaltaram que o cinema brasileiro vive um momento de reconhecimento nacional e internacional, resultado de um processo de amadurecimento artístico e da consolidação de uma indústria que movimenta a economia, gera empregos, impulsiona cadeias produtivas e fortalece a identidade cultural do país.
Para a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, o que faz do Grande Otelo a principal celebração do audiovisual brasileiro é a participação decisiva dos profissionais do setor.
"Não tem curadoria, não tem júri. São seus pares que votam naquilo que a gente produziu no ano. A Academia é composta pelos cineastas brasileiros e é uma instituição sem fins lucrativos que só quer que o cinema brasileiro exista para sempre", afirmou.
Esse fator também foi destacado por Marianna Brennand como um dos aspectos mais simbólicos da premiação.
"O Grande Otelo é um grande prêmio do cinema brasileiro. É um reconhecimento pelos nossos colegas, pelos nossos pares que fazem cinema e que eu admiro tanto. É muito especial ser reconhecida por eles."
Protagonismo feminino
Marianna Brennand também ressaltou o protagonismo feminino. "É um filme que tem a força do feminino. Estou muito feliz porque ele está conectando pessoas, transformando e levando luz."
Premiada na categoria roteiro original de Manas, Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), destaca que o filme reúne uma equipe majoritariamente feminina desde a criação até a produção.
"'Manas' é dirigido por uma mulher brilhante, Marianna Brennand, mas também é um filme escrito por várias mulheres e produzido por mulheres. Tem essa marca da presença feminina na liderança. É esse olhar que faz com que um tema tão denso seja tratado com tanta sensibilidade."
Prêmio
Realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a cerimônia reuniu artistas, técnicos e produtores, em um encontro de diferentes gerações. Além de dividir o prêmio de Melhor Filme com O Agente Secreto, Manas conquistou Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Atriz Coadjuvante, com Dira Paes.
Já Homem com H, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, foi o longa com o maior número de estatuetas, conquistando seis troféus: Melhor Ator, para Jesuíta Barbosa, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Som e Melhor Filme pelo Júri Popular.
O Agente Secreto, representante brasileiro na última edição do Oscar e vencedor de dois prêmios no Globo de Ouro, também foi premiado como Melhor Direção de Fotografia e Efeitos Visuais.
Saiba a lista completa dos vencedores:
Melhor Longa-Metragem de Ficção (empate)
- Manas
- O Agente Secreto
Melhor Filme pelo Voto Popular
- Homem com H
Melhor Longa-Metragem de Comédia
- Velhos Bandidos
Melhor Longa-Metragem Documentário
- Apocalipse nos Trópicos
Melhor Longa-Metragem de Animação
- Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul
Melhor Longa-Metragem Infantil
- O Diário de Pilar na Amazônia
Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano (empate)
- Belén: Uma História de Injustiça (Argentina)
- O Riso e a Faca (Portugal)
Melhor Direção
- Marianna Brennand (Manas)
Melhor Primeira Direção
- Rafaela Camelo (A Natureza das Coisas Invisíveis)
Melhor Ator
- Jesuíta Barbosa (Homem com H)
Melhor Atriz
- Denise Weinberg (O Último Azul)
Melhor Ator Coadjuvante
- Rodrigo Santoro (O Último Azul)
Melhor Atriz Coadjuvante
- Dira Paes (Manas)
Melhor Roteiro Original
- Manas
Melhor Roteiro Adaptado
- O Filho de Mil Homens
Melhor Direção de Fotografia
- O Agente Secreto
Melhor Direção de Arte
- Homem com H
Melhor Figurino
- Homem com H
Melhor Maquiagem
- Homem com H
Melhor Trilha Sonora
- Homem com H
Melhor Som
- Homem com H
Melhores Efeitos Visuais
- O Agente Secreto
Melhor Montagem
- Manas
Melhor Curta-Metragem de Ficção
- Amarela
Melhor Curta-Metragem Documentário
- Sebastiana
Melhor Curta-Metragem de Animação
- A Tragédia da Lobo-Guará
Melhor Série de Ficção
- Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
Melhor Série Documentário
- Caçador de Marajás
Melhor Série de Animação
- Osmar A Primeira Fatia do Pão de Forma
Melhor Série Brasileira
- Cangaço Novo (2ª temporada)
Melhor Ator de Série de Ficção
- Johnny Massaro (Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente)
Melhor Atriz de Série de Ficção
- Alice Carvalho (Cangaço Novo)
Melhor Ator de Série
- Allan Souza Lima (Cangaço Novo)
Melhor Atriz de Série
- Marjorie Estiano (Ângela Diniz: Assassinada e Condenada)
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