Em conferência magna do 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores (as) Negros (as), Barros avaliou que as ações de um novo projeto colonial por parte de países do Norte Global incluem a busca do monopólio do patrimônio dos recursos naturais. O evento termina nesta sexta (31).
Querem ter controle daquilo que chamam de terras raras. Não só para manipulação e controle de patentes, mas para a produção de instrumentos bélicos, ressaltou o cientista social.
Ele é considerado uma das principais referências no debate sobre políticas públicas e desenvolvimento social e eleito pela Confederação da Juventude da África Ocidental como a personalidade mais influente do ano.
Ter o controle da Amazônia significa controlar a capacidade de produção alimentar, reserva de energia e de água e ainda o poder de fazer guerra com quem quiserem.
Para ele, as empresas buscam elementos estratégicos para a produção de bombas nucleares, carros elétricos e telefones celulares. Os donos dessas empresas, disse ao público, são aqueles que tiveram sempre um projeto de financiamento e criaram patrimônio econômico com a colonização. Estão no poder político com a colonização.
Inteligência artificial
Ainda em seu discurso, o sociólogo afirma que esse novo projeto colonial é baseado sobretudo no controle das tecnologias da atualidade, o que inclui os desenvolvimentos das empresas de inteligência artificial.
Está baseado sobretudo na substituição da força e da capacidade humana pelas máquinas.
Em seus argumentos, o setor financeiro da inteligência artificial não abarca as necessidades dos povos sofridos e colonizados. É um mecanismo de açambarcamento (apropriação) do saber, do conhecimento e do patrimônio do povo negro.
Miguel de Barros defende que é necessário haver uma contracorrente que permita aos negros terem suporte tecnológico para enfrentar esse cenário. A inteligência artificial é também utilizada para a manipulação da biomedicina.
Vulnerabilidade na África
O sociólogo, no evento na UnB, ainda criticou a gestão de saúde brasileira durante o período da pandemia por não ter cooperado com as necessidades do povo africano.
O domínio do poder econômico não permitiu a transferência nem da tecnologia nem dos medicamentos. Até este momento, o continente africano só vacinou um quarto da sua população com duas doses de Covid, exemplificou.
Na lógica desse neocolonialismo, baseado no desenvolvimento seletivo de tecnologias, conforme avalia o pesquisador africano, existe uma espécie de seletividade sobre o direito à vida, que passa pelo racismo. Ele defendeu que a academia e o poder público devem apoiar formas alternativas de resistência e de emancipação para as populações mais vulneráveis.
No processo de construção de autonomia econômica e política, os resgates dos saberes das comunidades negras e tradicionais são elementos decisivos para garantir o direito à vida dos povos. Por isso é que os Estados Unidos estão a disputar as eleições no Brasil.
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