A falta de referências sobre Mogi das Cruzes nos materiais didáticos adotados no município levou a professora e escritora Caroline Branco, 27, a lançar um livro infantil que apresenta a região de um ponto de vista tão divertido quanto inusitado: a experiência de duas capivaras que se aventuram pela cidade da Grande São Paulo.
A ideia nasceu durante as aulas com as turmas do 1º ano do Ensino Fundamental, quando a educadora percebeu que os conteúdos sobre espaços de convivência traziam exemplos de outras cidades, com os quais as crianças não se identificavam.
“Os alunos precisavam falar sobre o bairro, sobre a cidade, mas o material didático trazia referências de outros lugares. Queria algo mais lúdico que fizesse referência à nossa cidade”, conta a professora, moradora no bairro César de Souza.
Caroline apresenta uma das páginas de As Capivarinhas de Mogi, que acompanha as aventuras de um grupo de capivaras inspiradas nos animais que habitam o Parque Centenário @Jessica Silva/Agência Mural
Foi daí que veio a inspiração para escrever a obra ‘As Capivarinhas de Mogi‘, em 2025. Os animais bastante presentes em parques locais – se aventuram por diferentes espaços de Mogi das Cruzes, como o Pico do Urubu, o Mercadão e o Theatro Vasques, pontos turísticos da região.
A inspiração veio de uma visita da professora ao Parque Centenário da Imigração Japonesa, que também fica no bairro César de Souza, onde ela mora. “Fui ao parque, vi as capivaras e pensei: está aí uma história infantil”, relembra. Os animais chamam a atenção especialmente das crianças
Quando as crianças se veem no livro
A seleção dos espaços foi feita pensando tanto na identificação das crianças quanto na possibilidade de ampliar seus repertórios culturais. Foi incluído o Parque Centenário, a estação de trem Estudantes, o Ginásio Municipal e a área onde ocorre a tradicional ‘Festa do Divino’, uma das tradições religiosas mais antigas do Brasil, celebrada em Mogi das Cruzes desde 1613.
‘Eu queria que as crianças reconhecessem os lugares [da cidade]. Algumas conhecem, outras não. O livro pode despertar a curiosidade para visitar esses espaços e saber mais sobre o município onde vivem’
Caroline, escritora
Mais do que transmitir conteúdos escolares, a proposta busca incentivar o sentimento de pertencimento das crianças para, como diz a autora, valorizar o território e ampliar o repertório das crianças.”
Para a professora, um dos aspectos mais importantes da obra é permitir que os estudantes encontrem referências próximas da e sua realidade.