O fotógrafo selecionou 29 fotografias para a mostra. Elas costuram uma pesquisa artística que fala sobre o território, esse lugar de disputa simbólica, política, imagética, partindo da relação entre memória, corpo e fabulação. Maré é um território rico culturalmente.
Ele conta que seu trabalho é totalmente coletivo. Na exposição, vamos celebrar não só minhas fotografias, mas esses processos coletivos. A Maré é um território de mais de 125 mil habitantes. Não existe uma narrativa única. Tento construir nas minhas fotografias esse olhar a partir de uma Maré coletiva.
O show da cantora drag queen e MC Preta QueenB Rull, da comunidade Parque União, na Maré, abrirá a mostra.
O barco Filha do Mangue, construído por DaLua em parceria com pescadores da Colônia Parque União, também estará exposto. A ideia é expandir meu trabalho para outras materialidades, para que dialogue com minhas obras fotográficas.
A mostra inaugura a programação anual da Galeria 535 e apresenta um olhar poético sobre os modos de vida, os afetos e as tecnologias construídas no cotidiano mareense. Ao longo do percurso expositivo, o mangue surge como elemento ligado à história e à formação da Maré, enquanto a laje aparece como espaço de convivência, encontro e construção de perspectivas de futuro.
A exposição evidencia ainda a importância da circulação de trabalhos produzidos por fotógrafos oriundos de favelas e territórios populares.
Formação
Affonso DaLua é formado pela Escola de Fotografia Popular. A instituição faz parte do Programa Imagens do Povo, do Ministério da Cultura e do Observatório de Favelas, cuja sede é na Maré.
Em 2023, ele participou de residência artística no Instituto Moreira Salles, onde já abordava a relação do mangue com a Maré e as lajes.
O artista visual integra, desde 2022, o Acervo do Imagens do Povo programa de documentação e pesquisa do cotidiano das periferias e de formação e inserção de fotógrafos populares no mercado de trabalho.
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