O Brasil tem 4,8 milhões de animais de estimação em situação de vulnerabilidade. Desses, 172 mil estão em abrigos de organizações não governamentais (ONGs).
Mesmo sendo minoria, esses animais enfrentam superlotação: a ocupação média dos abrigos é de 135%. A situação piora porque, a cada três animais que entram, apenas um é adotado.
Os dados são do Censo Pet, do Instituto Pet Brasil. A pesquisa foi apresentada à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (14), pelo diretor da Federação Brasileira da Causa Animal (Febraca), Cadu Pinotti. Ele também apresentou um levantamento inédito sobre ONGs formalizadas no país: são 2.613 organizações.
Segundo Pinotti, falta apoio do poder público. As organizações fazem um trabalho que deveria ser do poder público, como saúde e controle de zoonoses. Mesmo assim, muitas não têm parceria com os municípios, disse.
Das ONGs, 44% não têm nenhuma interação com o poder público, e pouco mais da metade mantém parcerias pontuais. Mais de 70% nunca receberam recursos de emendas parlamentares.
A maior parte do financiamento vem de doações. O restante vem de eventos, rifas e venda de produtos.
O relatório também aponta:
- superlotação dos abrigos;
- falta de políticas públicas estruturadas;
- dificuldade de acesso a isenções fiscais e financiamentos.
A Febraca defende a criação de orçamento exclusivo para a causa animal.
Recursos
O deputado Delegado Matheus Laiola (União-PR), autor do pedido para realização da audiência pública, afirmou que há repasses federais para os municípios, mas nem sempre os recursos são aplicados na área. Os municípios recebem os recursos e devem destiná-los à causa animal. Alguns aplicam, outros não. Depois que o dinheiro entra no caixa, a decisão é local, afirmou.
Desafios dos municípios
A gerente de sustentabilidade da Confederação Nacional de Municípios, Cláudia Lins, destacou dificuldades estruturais.
Nove em cada dez municípios brasileiros têm até 50 mil habitantes, e quase metade tem até 10 mil.
Municípios pequenos têm baixa capacidade de arrecadação. Sem uma política estruturada, não conseguem investir na causa animal.
Ações do governo federal
A diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente, Vanessa Negrini, afirmou que políticas públicas estão em andamento, mas ainda não são percebidas pela população.
Segundo ela, o órgão atua na articulação entre ONGs, governo e Parlamento.
Monitoramos projetos de lei para evitar propostas prejudiciais e destravar iniciativas importantes.
A diretora informou que, até o final de 2026, devem ser realizadas 675 mil castrações com apoio de emendas parlamentares.
O Cadastro Nacional de Animais Domésticos (Sinpatinhas) completa um ano com 1,2 milhão de cães e gatos registrados.
Projetos
Entre os projetos de lei apoiados pela Febraca, em análise no Congresso, estão:
- PL 6082/25: cria incentivo fiscal para adoção de animais;
- PL 2925/24: institui o Fundo Nacional de Proteção e Bem-Estar Animal;
- PL 1738/25: prevê atendimento veterinário gratuito;
- PL 6191/25 (em análise no Senado): cria o Estatuto de Cães e Gatos;
- PLP 11/26 (em análise no Senado): prevê que entidades sem fins lucrativos mantenham integralmente a isenção de tributos federais. A Lei Complementar 224/25 passou a exigir a cobrança tributária sobre receitas dessas entidades.