O mercado de confecção de moda está vivendo uma revolução impulsionada por jovens entre 18 e 29 anos, que se tornam os principais compradores de máquinas de costura (52%, segundo pesquisa da Singer), movidos pela personalização, pelo consumo consciente e pelo desejo de empreender de maneira mais sustentável. Este fenômeno está não só transformando a forma como as roupas são feitas, mas também criando oportunidades de negócios para micro e pequenos empreendedores, que buscam se destacar com produtos exclusivos e que atendem às novas demandas do mercado.
Segundo dados da Associação Brasileira de Indústria Têxil (Abit), os Microempreendedores Individuais (MEIs) representam 97,5% da indústria de confecção têxtil no Brasil, e as micro e pequenas empresas absorvem 84% dos trabalhadores com vínculo ativo no setor. A indústria de confecção movimenta mais de R$ 203 bilhões anualmente, mas, ao mesmo tempo, cerca de 62% dos trabalhadores autônomos dessa indústria ainda atuam de maneira informal, conforme levantamento da Coalizão de Parceiros de Moda Justa Sustentável, divulgada pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Em São José do Rio Preto, essa tendência também é visível, com um aumento de 23% na abertura de CNPJs de micro e pequenas empresas de confecção têxtil nos últimos dois anos, o que reflete um ecossistema local cada vez mais dinâmico e pronto para absorver a demanda crescente por moda personalizada e sustentável. O aumento no número de negócios dessa área é um reflexo da transformação no comportamento tanto de empreendedores quanto de consumidores, especialmente da geração Z, que busca peças únicas e com valores mais éticos, alinhados ao slow fashion.
Leonardo Alduino, proprietário do ateliê Ziik Culture, em Rio Preto, é um exemplo dessa nova geração de empreendedores. Começou sua jornada com um brechó online no Instagram, vendendo roupas de desapego e dando dicas de estilo. No entanto, ele logo percebeu que faltava algo: Eu queria fazer as roupas que eu vendia. Foi aí que eu decidi me aprofundar no crochê, técnica que sempre amei, e comecei a criar minhas próprias peças. Quando comecei a postar meus projetos finalizados no Instagram, a procura por encomendas foi enorme. Foi aí que tive a certeza: eu vou trabalhar com isso, compartilha.
Hoje, a Ziik Culture é uma marca que oferece peças feitas à mão, com um design que mistura ancestralidade e contemporaneidade. O diferencial de Leonardo é trabalhar com crochê, uma técnica que permite criar roupas exclusivas e personalizadas, alinhadas com o conceito de slow fashion.
Meu processo criativo é focado em criar peças que transcendam tendências passageiras. O objetivo é que o cliente use essa roupa por muitos anos, combatendo a cultura do descartável. Para mim, produzir crochê é um ato político e ambiental: é provar que a moda pode ser ética, respeitar o tempo humano e ser esteticamente incrível ao mesmo tempo, ele comenta.
O Sebrae-SP tem desempenhado um papel fundamental na formalização e capacitação desses profissionais. A instituição oferece consultoria, cursos e recursos para que pequenos empresários como Leonardo possam transformar suas paixões em negócios sustentáveis e lucrativos.
Ainda segundo a pesquisa da Coalizão de Parceiros de Moda Justa Sustentável, 91% dos trabalhadores da indústria têxtil desejam se capacitar em técnicas de costura e 83% querem aprimorar suas habilidades de gestão de negócios. Muitos buscam por recursos online, facilitando o acesso ao conhecimento.
Para Leonardo, o maior desafio é aprender a equilibrar o tempo que passo tecendo com o tempo necessário para o marketing, o atendimento ao cliente e a logística.
Tendo em vista os principais obstáculos na formalização desses profissionais, o Sebrae-SP oferece auxílio a esses empreendedores ao lidarem com os desafios da gestão e da precificação estratégica, ajudando a superar a barreira da informalidade, algo crucial para o crescimento de negócios no setor têxtil.
O mercado de moda no Brasil está passando por uma mudança significativa, e os jovens empreendedores, como Leonardo Alduino, estão liderando essa transformação. Com a exclusividade, a personalização e a sustentabilidade no centro do processo criativo, eles estão oferecendo ao consumidor uma nova experiência de compra: peças únicas, que transcendem tendências passageiras e promovem um consumo mais responsável e consciente.