Edinalda Nascimento, mulher pantaneira e representante do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, falou em nome de 28 segmentos que nunca haviam se pronunciado naquela plenária.
Somos um elo essencial conectando a natureza para sustentar todas as formas de vida. Nossa visão de mundo como povos indígenas e das comunidades locais revelam que os conhecimentos tradicionais são fundamentais para a conservação das espécies migratórias, ao mesmo tempo em que garantem meios de subsistência e a continuidade dos nossos modos de vida, declarou.
Atentos, diplomatas, cientistas e representantes de organizações sociais pararam as negociações para ouvir a reivindicação daqueles que nunca haviam sequer acessado a área destinada aos credenciados na COP da convenção, a chamada Zona Azul.
Logo após a nossa manifestação, outros países já se manifestaram a favor, pedindo que seja avaliado, que seja implementada a solicitação dos povos e comunidades tradicionais. Então a gente sai muito feliz com a aprovação e a parceria de apoio dos outros países, ressaltou Edinalda.
A diretora da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Cláudia de Pinho, explicou que a intervenção fez parte de uma articulação entre vários ministérios do governo brasileiro, para garantir que esses povos tivessem voz e pudessem entender os processos de negociação nessa conferência das Nações Unidas.
Eles nos procuraram para entender mais sobre a conferência e nós fizemos todo um trabalho de aproximação com o tema, que é bastante técnico, que chamamos de pré-COP. A partir disso, eles selecionaram quem viria participar. Então, o que fizemos foi atender à demanda dos próprios segmentos, disse.
O esforço dos representantes dos 28 povos abriu um debate a partir de uma demanda que nunca havia chegado ao secretariado da CMS, avaliou Cláudia de Pinho.
Criou um momento realmente para discutir a relevância dos modos de vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais, um tema que tem tudo a ver com as espécies migratórias, disse.
De acordo com Capobianco, nessa COP15 no Brasil o reconhecimento tem sido evidenciado inclusive em estudos lançados para subsidiar as decisões das nações.
Um exemplo, segundo ele, foi o relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, lançado no início da conferência e assinado por cientistas e integrantes dos povos tradicionais.
É belíssimo isso, porque é um trabalho que vai ser muito impactante para todas as pessoas que lidam com a conservação das espécies migratórias, afirmou.
O documento foi produzido juntando conhecimento acadêmico com conhecimento tradicional, que também é científico e, em muitos casos, é mais profundo do que o próprio conhecimento acadêmico, reforçou.
* Equipe viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente
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