Entre as seis seleções que disputam um lugar na elite do rugby feminino com o Brasil nenhuma tem uma atleta como Thalia Costa. Na temporada passada, a maranhense de 28 anos foi eleita para o Time dos Sonhos mundial, ao lado de estrelas de Nova Zelândia, Austrália e Japão, países com bem mais tradição no esporte e que figuram, atualmente, na primeira divisão da modalidade.
Ela também ocupa o 14º lugar no ranking de jogadoras que mais pontuaram na história do circuito. Em sete participações, são 127 tries (que é quando o atleta cruza a linha de fundo do campo com a bola oval em mãos - seria o equivalente em importância ao gol no futebol). Somente na temporada anterior, foram 29 tries em seis etapas, sendo a terceira mais bem colocada na artilharia da competição.
Eu tenho essa noção [de que está entre as melhores do mundo], mas não sei te dizer se ela parece ser real. Às vezes, eu me pergunto se jogo tudo isso, se é possível. Mas olho para minha trajetória e vejo que sim e que ainda estou em uma constante evolução, ainda tenho muito para aprender, disse Thalia em entrevista à TV Brasil.
O principal trunfo da maranhense é a velocidade. Na disparada em direção à linha de fundo para o try, ela supera facilmente os 30 quilômetros por hora. A história de vida ajuda a entender o porquê. Thalia era do atletismo e tinha como especialidade as provas de 100 e 200 metros, mesmo correndo descalça em pedra brita.
A Thalia é super rápida, mas também muito em forma, o que significa que pode utilizar repetidamente a velocidade. É como as motocicletas em São Paulo. Ela é pequena e veloz. Encontra os espaços e os aproveita. Ela joga da maneira que acreditamos ser muito bom para o Brasil, destacou à TV Brasil a neozelandesa Crystal Kaua, técnica da seleção feminina.
A mudança para o rugby ocorreu em 2017. Dois anos depois veio a convocação para representar o Brasil e a ida para São Paulo, onde as Yaras treinam regularmente. A distância da família, a quem Thalia é bastante apegada, é aliviada pela presença da irmã, Thalita, que sempre a acompanhou nos esportes. Gêmea dois minutos mais nova, ela também defende a seleção nacional.
Eu estava em uma fase da vida em que achava que precisava procurar outra coisa. Estudar, fazer faculdade. Mas eu acabei me inspirando na garra e na força que ela [Thalia] tem para realizar os sonhos dela. Isso cresceu em mim esse sentimento de que ainda conseguiria [viver do esporte], de que era capaz. Sempre fizemos tudo juntas. Então, é um privilégio muito grande tê-la como irmã e inspiração, contou Thalita à TV Brasil.
O desempenho em 2025 levou Thalia ao outro lado do mundo. Após defender o Brasil no circuito, a maranhense foi para o Japão disputar a liga local de rugby sevens ao lado da carioca Gabriela Lima, também jogadora das Yaras. Elas representaram o Mie Pearls. Foi a primeira experiência atuando por um clube do exterior.
Falando a verdade, eu nunca tive vontade de sair do Brasil e experimentar o mundo pelo rugby. Mas quando surgiu essa oportunidade, e como gosto muito do Japão e da cultura japonesa, falei: vamos testar. E foi incrível. Parecia que já conhecia todo mundo do time há muito tempo. E nem entendia a língua [risos]. Fizemos história, ganhamos etapas [da liga] que elas não tinham ganho ainda. Tanto que quero voltar!, afirmou Thalia.
O Brasil vai precisar da melhor versão de Thalia em Montevidéu e São Paulo. As Yaras têm de finalizar o circuito entre as quatro seleções mais bem colocadas para se juntarem às oito equipes da primeira divisão e disputarem o Campeonato Mundial, que terá 12 times ao todo e três etapas: Hong Kong, Valladolid (Espanha) e Bordeaux (França).
Na primeira etapa do circuito da segunda divisão, realizada em Nairobi (Quênia), entre os dias 14 e 15 de fevereiro, as brasileiras não foram bem. Com apenas uma vitória em cinco jogos, ficaram na sexta e última colocação. O primeiro lugar foi da Argentina, seguida por África do Sul, Espanha, China e pela seleção anfitriã.
Ainda mais pela troca que a treinadora tem feito, de trazer jogadoras mais novas, eu me sinto no dever de fazer com que essa transição seja das melhores possíveis. Mas eu acho que vai dar bom. A gente está começando a se conectar melhor, entender uma à outra. Coisas boas estão por vir, concluiu a artilheira, que representou o Brasil em duas Olimpíadas (2020 e 2024) e conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago (Chile), em 2023.
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