A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3874/23, que proíbe a posse, o porte e a compra de armas e munições por pessoas sob medida protetiva.
Em entrevista à Rádio Câmara nesta segunda-feira (23), o relator do texto, deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), explicou que a medida impede a posse, o porte e a compra de armas e munições para quem estiver em cumprimento de medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.
Para quem vale
A restrição vale para todo cidadão com autorização de porte e posse de armas, inclusive profissionais da segurança pública, das Forças Armadas e da segurança privada, além de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs).
Pelo texto, o juiz ou a autoridade responsável pela medida protetiva deve comunicar o fato:
- à Polícia Federal (responsável pelo controle de armas para caçadores),
- ao Exército (responsável pelo controle de armas para atiradores esportivos), e
- às empresas de segurança privada onde eventualmente o agressor possa trabalhar.
Qualquer cidadão que seja objeto de medida protetiva e que tenha legalmente autorizado o porte ou a posse de arma, seja ele profissional da área de segurança pública ou não, terá imediatamente esse porte e essa posse suspensos", explicou Mendes. "E essa arma será recolhida", acrescentou.
Feminicídios
O deputado lembrou que o número de feminicídios tem crescido no país e que grande parte desses crimes é cometida com armas de fogo cujos donos são proprietários regulares dos armamentos.
É uma coisa absurda que uma pessoa que seja objeto de uma medida protetiva não tenha imediatamente cancelado o seu direito de portar aquela arma de fogo, criticou o parlamentar.
Próximos passos
Aprovado pela Comissão de Segurança Pública, o projeto, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), está agora na Comissão de Constituição e Justiça. O texto tramita em regime de urgência e pode ser votado a qualquer momento direto no Plenário.
Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.