Com os pés no tatame e um sonho sem fronteiras, Sophya Helena começou a treinar karatê no bairro Líder, em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Hoje, aos 11 anos, a atleta representa o confederação de Karate Shidokan e soma um currículo expressivo: participou de cerca de 15 campeonatos, conquistou 13 vitórias, entre elas três títulos paulistas, dois brasileiros e um título sul-americano.

A paixão pelo karatê surgiu aos 9 anos, quando acompanhava o pai nas idas a um projeto social onde a irmã mais velha treinava. Comecei a acompanhar minha irmã nos treinos e gostei muito. Pedi para ir junto e, desde então, não largo mais, conta.

Atleta Sophya Helena com a taça do campeonato sul-americano @Arquivo pessoal/Divulgação

O projeto é o Instituto IBEI, uma iniciativa construída por moradores da zona leste e que forma jovens atletas do bairro. Atualmente, mais de 230 crianças e adolescentes participam.

Sophya sonha em disputar campeonatos de maior visibilidade. Para este ano, planeja estudar espanhol e se prepara para possíveis competições internacionais.

Os próximos desafios estão na Costa Rica e no Chile, onde pretende representar o Brasil na categoria sub-13, o que depende da conquista nos tatames, mas também de patrocinadores. Ela sonha também em disputar o Mundial, mas por enquanto, essa competição é apenas para faixa marrom – hoje ela é faixa amarela.

Até hoje a luta mais marcante foi a final do campeonato sul-americano, em 2024, contra uma atleta argentina, Renata Beatrice. Era a oitava final, e mesmo com a experiência pelas decisões anteriores, o nervosismo estava presente. Uma final internacional, mesmo em solos nacionais, era tudo o que eu mais queria e me preparei bastante para aquele momento, conta.

Sophya foi campeã do 3° campeonato paulista de Karate e participa do projeto Instituto IBEI, em Itaquera @Arquivo pessoal/Divulgação

‘Era muito importante vencer. Me concentrei em aplicar o que aprendi nos treinos, e isso me ajudou a trazer a vitória. Não foi minha primeira final, mas era uma das mais concorridas, me colocaria em outro nível como competidora’

Sophya Helena, atleta

Aluna do E.E. Profª Luzia de Queiroz e Oliveira, escola de período integral, Sophya cursa a 7° série e passa o dia inteiro dedicada aos estudos. A partir do fim das aulas, inicia os treinos diários, que vão das 18h às 21h.

O pai, Fábio Freire, acompanha cada etapa da trajetória dela e se define como o fã número um da filha. Para ele, além do crescimento esportivo, o karatê trouxe segurança e autoconfiança.

Atleta com seus troféus e medalhas conquistadas nos campeonatos @Arquivo pessoal/Divulgação

A autodefesa aprendida nas aulas representa um alívio diante do que as filhas podem enfrentar ao longo da vida. Com o apoio do projeto, que mantém as crianças longe das ruas, fica mais fácil, destaca.

A filosofia do karatê também foi fundamental em momentos delicados da vida pessoal. Aos cinco anos, os pais dela se separaram, um período difícil de compreender na infância. Mesmo sendo muito nova me senti triste em alguns momentos, então me dediquei ao esporte, talvez como uma válvula de escape, comenta Sophya.

Inspirada pelo professor Alexandre Prattes, Sophya sonha em se tornar sensei no futuro. Entre os ensinamentos que leva para a vida, um se destaca: Não abaixar a cabeça diante das adversidades, completa a atleta. O esporte não é apenas formador de atletas, mas de cidadãos, afirma Sophya.

Agência Mural

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