No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas.
Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.
Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo, escreveu.
Para o presidente, sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas.
Democracia
No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, de qualquer país, podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.
No entanto, ressalta que não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça. Segundo ele, ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.
O presidente afirma ser particularmente preocupante que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe.
Segundo Lula, elas levam violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos.
Ele destaca que, em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
Ao tratar da região, Lula afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, têm seus próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo multipolar, nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade.
"Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos e defende que construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve.
Agenda regional
Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.
Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela, afirma. Segundo o presidente, a cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas.
Sobre a Venezuela, Lula afirma que o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo.
"Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável.
Cooperação
No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada e aprofundar a cooperação bilateral.
Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente americano. Segundo Lula, unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir.
Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.
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