A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou nesta terça-feira (21), em debate na Câmara dos Deputados, que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), no Brasil, deverá ficar marcada pela maior e melhor participação indígena na história das negociações sobre o clima.

Segundo ela, além da preparação de lideranças brasileiras visando os debates, o acampamento Aldeia COP permitirá a participação de 3.000 indígenas durante todo o evento. O Brasil também negocia a manutenção desses espaços para populações originárias e tradicionais nas próximas edições da conferência.

Queremos unificar posicionamento de povos indígenas do Brasil e do mundo em temas centrais que são também globais, afirmou Sônia Guajajara, citando, entre outros, a demarcação de territórios. Manter a floresta em pé é uma demanda não só nossa, no Brasil, mas de outros povos também, continuou a ministra.

Temos de certeza que esta não só será a COP da maior e da melhor participação indígena da história, mas a que também entregará os maiores resultados e que mais avançará na implementação de soluções, afirmou ela, em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Nós teremos indígenas preparados para todos os temas que serão tratados na conferência, assegurou durante o debate na Câmara a líder da etnia wapichana da Terra Indígena Serra da Lua (RR), Sinéia do Vale, enviada especial dos povos indígenas a convite na COP30.

A audiência pública, proposta pela deputada Duda Salabert (PDT-MG), presidente da Subcomissão Especial da COP30, foi presidida pela deputada Dilvanda Faro (PT-PA). O deputado Nilto Tatto (PT-SP) também participou da reunião.

Financiamento
A COP30, promovida pela Organização das Nações Unidas e coordenada pelo Brasil, ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém, no Pará. A agenda oficial e demais eventos abordarão medidas para transição energética e combate ao aquecimento global, visando reduzir o impacto das mudanças climáticas.

Uma transição justa só será alcançada com o veto à exploração de combustível fóssil e minerais no interior dos territórios indígenas, disse o coordenador-geral das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Elcio Manchineri. Ele também cobrou recursos financeiros para a preservação de áreas demarcadas.

O coordenador do Núcleo de Florestas para a COP30, Marco Túlio Cabral, reiterou que uma das propostas do Brasil é a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), a ser abastecido com recursos dos diferentes países. Já está decidido que 20% dos recursos serão destinados ao financiamento direto de povos indígenas e comunidades tradicionais, disse.

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