Uma das peças mais aguardadas é a instalação criada especialmente para ocupar a rotunda do prédio histórico do CCBB. Nela, espelhos refletem fragmentos da arquitetura do espaço, formando um grande quebra-cabeça visual que envolve o visitante.
Croft - considerado um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea portuguesa - explora diferentes linguagens em sua produção. Nos desenhos apresentados, feitos sobre provas de gravuras, o artista utiliza linhas de nanquim de apenas 0,25 milímetros. Faço os desenhos à mão, trazendo esse mundo de imagens de pixels para a nossa realidade, que é física ainda. É uma maneira de resistir à velocidade de estarmos sempre ligados a um excesso de estímulos, explica.
Além dos desenhos, o público poderá interagir com esculturas em ferro, vidro e espelho, criadas para a exposição. Para o curador Luiz Camillo Osorio, há um diálogo permanente entre as diferentes linguagens que compõem o trabalho de Croft.
O metal, o vidro, os espelhos, a linha, a cor, a memória gráfica, as sobreposições e a instabilidade tudo isso reverbera entre as gravuras, os desenhos e as esculturas, opina.
Carreira
Osorio ressalta, ainda, a importância da trajetória do artista, iniciada nos anos 1980: Ele exprime vontade de liberdade e de experimentação. Já teve uma presença marcante no Brasil, em espaços como o Museu de Arte Moderna, a Bienal de São Paulo, a Pinacoteca e o Paço Imperial. Mas há muito tempo não mostrava sua produção aqui, observa.