O poeta e militante pernambucano Solano Trindade será homenageado na primeira edição da Festa Literária das Periferias (Flup) em Pernambuco, que acontece entre 10 e 14 de setembro, no Compaz Governador Eduardo Campos. Nascido no Recife, Trindade foi um dos fundadores da Frente Negra Pernambucana e do Teatro Popular Brasileiro, iniciativas que buscavam democratizar o acesso à arte e valorizar a cultura afro-brasileira. Sua trajetória é apresentada como referência para pensar estratégias de visibilidade e reconhecimento dos talentos periféricos.

Com o tema Saberes Conectados: Negritude em Todos os Espaços, a feira busca ampliar o alcance da literatura como ferramenta de diálogo e construção coletiva. A programação gratuita inclui mesas de debate, lançamentos de livros, saraus e espetáculos, com participação de nomes como Vitor da Trindade, Bianca Santana, Carla Akotirene, Itamar Vieira Jr. e Ellen Oléria. A curadoria priorizou temas como juventude negra, ancestralidade, acesso à cultura e o papel da arte nas periferias.

A feira de livros, parte integrante da programação, reúne editoras independentes, coletivos literários e escritores locais, com destaque para iniciativas como o Mulherio das Letras Periferia e o Coletivo Literário Mala Preta. Também haverá espaço gastronômico e intérpretes de Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a diversidade de públicos.

A Flup não é apenas um evento – é processo, plataforma de pensamento, conexões e incubação de talentos antes invisibilizados. Sempre culmina em um grande encontro, como o que teremos aqui em setembro, que será o ponto de largada desse movimento de troca de expertises “, afirma Tarciana Portella, coordenadora da Flup Pernambuco e cofundadora do Instituto Delta Zero para o Desenvolvimento da Economia Criativa.

A escritora e jornalista Jaqueline Fraga foi a curadora da edição: Pernambuco receber esta edição pioneira da Flup demonstra a relevância do nosso estado para a produção cultural. Daqui saem expoentes das mais diversas linguagens. Reuni-los junto ao público e a artistas de outros estados do país é uma forma de honrar toda a vida cultural que existe aqui, ressalta Jaqueline.

Criada em 2012 no Rio de Janeiro, a feira tem como proposta central promover o acesso à literatura e à produção intelectual nas periferias urbanas, reunindo autores, artistas e pensadores para refletir sobre cultura, identidade e transformação social em atividades gratuitas. A edição pernambucana é realizada com apoio do Ministério da Cultura, Prefeitura do Recife e Banco do Nordeste. A coprodução é da Suave e correalização da Na Nave, responsáveis pela edição carioca do evento.

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